Um padre da cidade de Areial, na Paraíba, firmou acordo com a família da cantora Preta Gil em um processo por danos morais, após declarações consideradas de intolerância religiosa durante uma missa. O entendimento foi celebrado no âmbito cível e ainda precisa ser homologado pela Justiça.
Pelo acordo, o religioso se compromete a realizar um pedido público de desculpas, que deverá ser feito durante uma celebração transmitida ao vivo pelo canal da paróquia no YouTube. A retratação deverá citar nominalmente familiares da artista, incluindo Gilberto Gil, e reconhecer o caráter ofensivo das falas, que teriam causado dor à família.
Com o acerto, o padre evita o pagamento de uma indenização estimada em R$ 370 mil. No entanto, o cumprimento das obrigações será obrigatório após a validação judicial. Caso não realize a retratação no prazo de 30 dias úteis, poderá ser aplicada multa de R$ 250 mil.
O acordo também prevê a doação de cestas básicas a uma instituição indicada pela família. A Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia, também integra o termo.
Acordo na esfera criminal
Paralelamente, o padre já havia firmado um acordo de não persecução penal com o Ministério Público Federal, na esfera criminal. Entre as medidas, ele participou de um ato inter-religioso, além de assumir compromissos como:
- Participação em cursos sobre intolerância religiosa;
- Produção de resenhas sobre obras ligadas a religiões afro-brasileiras;
- Pagamento de valor destinado a entidade de apoio a comunidades afrodescendentes.
Contexto do caso
O episódio ocorreu em julho do ano passado, quando, durante uma missa transmitida online, o padre fez declarações associando a morte de Preta Gil a crenças religiosas de matriz afro-indígena. As falas foram consideradas preconceituosas por entidades e motivaram denúncia formal.
O caso ganhou ampla repercussão e passou a ser investigado, levantando debates sobre intolerância religiosa e respeito à diversidade de crenças no país.



