O
papa Francisco celebrou nesta quarta-feira (29) uma missa para mais
de 150 mil pessoas em Mianmar, diante de uma multidão de católicos
emocionados com a primeira visita de um pontífice ao país, uma
viagem marcada pela sombra da fuga dos rohingyas.
“Sou
testemunha de que a Igreja aqui está viva”, disse o papa à
comunidade católica, que tem 700.000 pessoas – pouco mais de 1% da
população – em um país de 51 milhões de habitantes, em sua
maioria budistas.
Os
católicos birmaneses esperavam há meses a chegada de Francisco e
peregrinos de todos os pontos de Mianmar viajaram à Rangum,
capital econômica do país, para a missa campal.
Para
assistir à missa, alguns foram obrigados inclusive a dormir nos
cemitérios das igrejas.
“Jamais
sonhei em poder vê-lo na minha vida”, disse Meo, uma mulher de
81 anos da minoria akha, que veio do estado de Shan para
a missa.
Assim
como ela, muitos peregrinos viajaram até a cidade a partir
das zonas de conflito em regiões situadas nas fronteiras do país, e
inclusive da Tailândia e do Vietnã.
“Nunca
vi tantos católicos”, contou Gregory Than Zaw, um
homem de 40 anos da etnia karen, que viajou cinco horas de
ônibus para chegar a Rangum com um grupo de 90 peregrinos
de sua aldeia.
O
Papa saudou a multidão, em sua maioria sentada tranquilamente no
chão, de um “papamóvel” antes de oficiar a missa, que
marcou o terceiro dia de visita ao país.
A
multidão celebrou sua chegada agitando bandeiras de Mianmar.
“Venho
como peregrino para escutar e aprender com vocês. E para oferecer
algumas palavras de esperança e consolo”, disse o pontífice no
início da homilia.
Francisco
também fez um apelo ao perdão, inclusive no caso de Mianmar, um
país que tem vários conflitos internos, onde “muitos têm
feridas da violência, feridas visíveis e invisíveis”.
Durante
a quarta-feira, o papa se reunirá com líderes religiosos budistas
em um dos templos mais venerados do país.
Até
o momento, a viagem havia registrado um tom mais político.
Na
terça-feira, Francisco pediu “respeito a todos os grupos
étnicos”, mas evitou pronunciar a palavra “rohingya”
e não fez menção direta ao êxodo dessa minoria muçulmana vítima
de perseguições para Bangladesh.
Em
um discurso pronunciado diante das autoridades civis do país na
capital, Naypyidaw, o Papa também defendeu um “compromisso
pela justiça e respeito aos direitos humanos”.
Francisco
também se encontrou com a líder birmanesa e vencedora do Nobel da
Paz, Aung San Suu Kyi, mas não citou diretamente
a crise dos rohingyas, que chamou a atenção mundial nos
últimos meses.
Desde
o final de agosto, mais de 620.000 rohingyas chegaram a
Bangladesh, fugindo dos abusos, assassinatos e torturas cometidos
pelo Exército birmanês e por milícias budistas.
A
ONU considera a situação um caso de tentativa de “limpeza
étnica”.
Por Uol

