João Azevêdo, governador da Paraíba Foto: Reprodução / TV Tambaú
O
governador João Azevêdo não
é mais do Partido
Socialista Brasileiro (PSB). O
anúncio
oficial
aconteceu nesta
terça-feira (3) à
imprensa. Além disso, por meio de uma carta,
João
afirma
que aguardou
pelo acerto dos pontos
por parte do partido – o que segundo ele não aconteceu.
Confira
o texto na íntegra
“Saio
do PSB em busca da democracia perdida
Ao povo
paraibano.
Tenho exercido
os limites da paciência para não incorrer nas falhas que a pressa
leva sempre a cometermos. Mas, como humanos, todos temos nossos
limites. E o meu chegou com o PSB, partido ao qual sou filiado e me
elegi governador em 2018. Desde a dissolução do Diretório
Estadual, em agosto deste ano, sucedido por uma intervenção
nacional ou simplesmentpelo golpe aplicado – segundo companheiros
de partido e a imprensa local, que o incômodo com a situação só
se agravava e exigia, mais cedo ou mais tarde, uma tomada de decisão.
E ela chegou. Saio do PSB em busca da democracia perdida.
Muitos achavam
que essa decisão deveria ter sido imediata ao ato de força que
culminou com a dissolução do Diretório eleito em congresso, sem a
menor justificativa. Ou quando foi nomeada uma Comissão Interventora
pela direção nacional da legenda que colocaram meu nome junto com o
senador Veneziano Vital e outros dois companheiros, sem consulta
alguma, nessa tal Comissão Interventora.
Não a tomei em
nenhum desses momentos, embora justificativas não faltassem,
justamente para que os ânimos pudessem ser serenados, o diálogo
restabelecido e a ordem verdadeiramente democrática voltasse a
predominar no PSB paraibano.
O que se viu, no
entanto, foi a falta de qualquer gesto ou atitude de autocrítica
pelo terrível erro cometido com a bonita história de nosso partido
na Paraíba. Nos nivelamos a legendas autocráticas, de ocasião, sem
zelo pelos mandatos eletivos em andamento. E pensar que o partido
acaba de realizar evento nacional para promover uma Autorreforma. Sem
democracia interna não existem sequer reformas, imaginem
autorreforma.
A democracia que
defendemos não deve ser um conceito vago, um ser abstrato, que se
usa quando convém, para embasar as próprias teses e dar ganho de
causa a argumentos e procedimentos. Democracia é uma palavra viva
que precisa estar presente no nosso dia a dia. E eu procuro
praticá-la nas minhas atividades, no cotidiano, com minha equipe,
com amigos, com companheiros e companheiras, na relação com a
comunidade, com as instituições e os movimentos sociais. Uma
prática que adoto em família, compartilhando com minha esposa e
estendendo esse conceito a filhos e netos, como um legado de vida.
Mágoas e
rancores não cabem em meu coração. Apenas lamentações. A
primeira, por ter que deixar o partido pelo qual fui eleito. Sem
antes deixar de agradecer a todos os militantes, dirigentes e
colaboradores que confiaram nas nossas propostas e têm hipotecado
solidariedade irrestrita nesse momento tão delicado.
A segunda e
última lamentação eu não poderia deixar de registrar, porque essa
dói profundamente e não vou guardar apenas comigo, pois isso faz
mal à alma. Ironicamente, as maiores críticas ao nosso Governo
nesses 11 meses não vieram da oposição, dos partidos políticos,
dos sindicatos e associações de classe, dos deputados na
Assembléia, da imprensa, dos artistas e intelectuais, das
universidades e da sociedade em geral, que têm toda legitimidade
para contestar e apontar os caminhos a serem seguidos pelos
governantes.
A maioria das
críticas – ou melhor, dos ataques –, veio de membros do nosso
próprio partido. E não foi do militante lá na ponta ou de alguém
que votou e contribuiu de alguma forma, talvez desgostoso com algum
fato menor ou desentendimento com alguém dos quadros governamentais.
O antagonismo veio de figuras de proa do PSB, que mesmo antes da
Intervenção ou do golpe, já atacavam o Governo, secretários e o
governador.
Cheguei a ser
severamente criticado em entrevistas e redes sociais simplesmente por
dar continuidade ao Projeto do PSB, por sequenciar obras e
realizações que não foram concluídas até 31 de dezembro de 2018
e muitas dadas como concluídas e inauguradas. Mantivemos nomes e
continuamos todos os programas e projetos do Governo anterior, com
direito a ampliá-los, incorporando novas visões e atores sociais.
Mantive grande parte da equipe anterior, mesmo assim, pelo fato de
ter realmente assumido as funções de governador do estado, tomando
minhas próprias decisões, com possíveis erros e acertos, não foi
do agrado de alguns que achavam que continuariam a governar a
Paraíba.
Convivi neste
período, com boicotes e sabotagens internos à gestão promovidos
por alguns, que apegados a funções e salários, não tiveram a
dignidade de entregar seus cargos, agindo ou não sob algum tipo de
comando superior.
Confesso que
ainda não entendi o porquê disso tudo. Quais objetivos se escondem
– se é que existem ou foi de ato impensado – para a semeadura de
tanta discórdia em uma legenda que venceu as eleições de forma
consagradora e transformou-se na maior agremiação partidária do
Estado.
Mas, como a vida
é feita de ciclos, iniciaremos uma nova caminhada a partir de hoje.
“A
cada chamado da vida, o coração deve estar pronto para a despedida
e para novo começo, com ânimo e sem lamúrias”, assim escreveu um
famoso escritor alemão.
Quero agradecer
aos inúmeros convites que tenho recebido, de dirigentes estaduais e
nacionais, para ingressar em uma nova legenda. Não abri diálogo e
nem avancei em qualquer tratativa, ante minha filiação anterior ao
PSB. Mas irei fazê-lo neste final de ano, a fim de iniciar 2020 em
uma nova e acolhedora casa. Não pretendo criar novo partido ou
seguir modismos oportunistas. Acredito que o fortalecimento da
democracia passa por partidos programáticos, ideológicos, com
diversidade, unidade e, principalmente, com eleições internas de
seus membros em fóruns regimentais e respeito às decisões de todas
as instâncias partidárias.
Irei mudar de
partido porque o meu atual desconfigurou-se por completo na Paraíba.
Mas os princípios e o conjunto de idéias que acredito, caminharão
sempre comigo. Vou procurar uma legenda que se afine com nossa visão
de mundo e de Brasil, que não seja sectária, dona da verdade, que
não exerça patrulha ideológica e refute alianças programáticas.
Também que não flerte com o extremismo, com o fanatismo político,
seja de direita ou de esquerda, nem tampouco pratique a idolatria
personalista. Que os discursos para dentro sejam os mesmos para fora.
Que a verdade seja sempre o que norteie as decisões. Que o dinheiro
público seja respeitado.
Acredito em um
partido que abrace o pluralismo de idéias, a independência e o
respeito entre os poderes; que professe a liberdade de imprensa e de
religião, o estado laico, o multiculturalismo, o desenvolvimento
sustentável, a globalização e a inclusão social com
desenvolvimento; a defesa das causas ambientais, o direito das
minorias e o respeito às famílias; a diversidade, o
empreendedorismo e o Estado para corrigir as desigualdades e também
como indutor da economia; os valores cristãos, sem usar em vão o
nome de Deus em atividade política; e, por fim, a harmonia, o
diálogo e a paz social entre nós cidadãos.
Aos amigos e
amigas que esperaram por essa decisão e confiam em nosso trabalho,
que com muita humildade e seriedade vem mantendo e melhorando
praticamente todos os índices da Paraíba, em destaque no cenário
nacional, convido-os para nos acompanhar nessa caminhada que se
inicia.
A partir de
hoje, vou consultar muitos de vocês para que tomemos a decisão em
conjunto, porque ninguém, sozinho, é dono da verdade.
Aos paraibanos e
paraibanas, meus sinceros respeitos. Ajudem-me a continuar trilhando
o mesmo caminho confiado, até o dia 31 de dezembro de 2022.
DEMOCRACIA,
SEMPRE!
DITADURA, NUNCA MAIS!
João Azevêdo
Lins Filho
Governador da Paraíba”.
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