Na Nova Brasil FM, Nabor nega uso de emendas para conquistar apoios e promete cobrar conclusão da BR-230

Candidato ao Senado também apresentou propostas para saúde em João Pessoa, defendeu fortalecimento dos municípios e falou sobre investigações envolvendo integrantes do STF

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O candidato ao Senado Nabor Wanderley (Republicanos) negou nesta quarta-feira (16) que tenha utilizado emendas parlamentares do filho, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), como instrumento para conquistar apoio de prefeitos à sua candidatura. Durante entrevista à Nova Brasil FM 102,5, ele também prometeu cobrar do governo federal a conclusão das obras da BR-230 entre João Pessoa e Cabedelo caso seja eleito.

A entrevista, realizada por telefone e conduzida pelo jornalista Josival Pereira, faz parte da rodada de sabatinas da emissora com os candidatos ao Senado pela Paraíba nas Eleições 2026.

Nabor apresentou ainda propostas para ampliar a estrutura de saúde em João Pessoa, citando novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e uma nova unidade da Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad) para atender a Zona Sul da Capital.

Saúde, primeira infância, atenção às mães atípicas, combate à violência contra a mulher, infraestrutura e fortalecimento dos municípios foram apontados pelo candidato como prioridades para um eventual mandato.

Nabor nega uso eleitoral de emendas de Hugo Motta

Um dos principais momentos da entrevista ocorreu quando Nabor foi questionado pelo repórter André Firmino sobre acusações feitas durante a campanha envolvendo emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Hugo Motta a municípios paraibanos.

Adversários têm questionado se a destinação dos recursos teria relação com a construção de apoios políticos à candidatura de Nabor.

O candidato negou.

Não existe isso. Eu não tenho emendas parlamentares”, respondeu.

Segundo Nabor, o apoio recebido de prefeitos está relacionado à experiência acumulada por ele na administração municipal de Patos e à expectativa de que, caso eleito, defenda maior participação dos municípios nos recursos federais.

O candidato afirmou que conhece as dificuldades enfrentadas pelas prefeituras para financiar serviços públicos e disse que pretende utilizar essa experiência no Senado.

“É no município onde as famílias vivem, onde as pessoas moram, onde a gente nasce, onde a gente cresce, onde a gente estuda, onde a gente forma família”, afirmou.

Nabor também citou como exemplos a necessidade de recursos federais para saúde, construção de escolas e creches, transporte escolar e políticas para a primeira infância.

As acusações sobre eventual utilização eleitoral de emendas são contestadas por Nabor e integram a disputa política entre as candidaturas ao Senado. Durante a entrevista, não foram apresentados elementos que comprovassem que o candidato tenha controlado diretamente as emendas parlamentares mencionadas.

Ataques na reta final

Josival Pereira também perguntou ao candidato como ele pretende reagir ao aumento das críticas e acusações feitas por adversários na reta final da campanha.

Nabor disse que não pretende mudar o tom.

O candidato utilizou como principal argumento sua trajetória política em Patos, onde exerceu quatro mandatos como prefeito, além de ter ocupado mandato de deputado estadual.

“Eu tenho uma vida pública pautada na seriedade, no compromisso, na entrega, no resultado”, declarou.

Nabor afirmou que pretende responder aos adversários apresentando propostas e resultados administrativos.

“Eu nunca fiz política de ataques, eu nunca fiz política denegrindo a imagem e a vida pessoal de ninguém”, afirmou.

Saúde aparece como prioridade

Ao apresentar as prioridades de um eventual mandato, Nabor colocou a saúde entre os primeiros pontos.

Segundo o candidato, ainda existem demandas reprimidas no estado relacionadas a consultas, exames especializados e outros atendimentos.

Ele também destacou políticas para crianças neurodivergentes e mães atípicas, primeira infância e enfrentamento à violência contra a mulher.

“Saúde pra gente tem que ser prioridade, porque existem demandas ainda reprimidas que precisam ser resolvidas, como filas de espera para exames e consultas especializadas”, afirmou.

Nabor defendeu que o Senado seja utilizado para ampliar recursos destinados aos municípios e financiar políticas executadas diretamente pelas prefeituras.

Nabor propõe novas UPAs para João Pessoa

A situação da candidatura na Capital também entrou na entrevista.

Questionado sobre as dificuldades para ampliar seu eleitorado em João Pessoa e sobre a importância do apoio do prefeito Léo Bezerra, Nabor afirmou que pretende intensificar a presença na cidade nesta reta final.

O candidato aproveitou a resposta para apresentar propostas específicas.

Entre elas está a ampliação da rede de pronto atendimento.

Segundo Nabor, regiões populosas da Capital precisam de novas UPAs.

“Bairros importantes como Mangabeira e Gramame, como outros mais, precisam de uma UPA para que a saúde chegue mais perto da população”, afirmou.

O candidato argumentou que João Pessoa também absorve pacientes encaminhados por municípios de diferentes regiões da Paraíba e, por isso, precisa ampliar sua capacidade de atendimento.

Nova Funad na Zona Sul

Outra proposta apresentada por Nabor durante a entrevista foi a implantação de uma nova estrutura da Funad para atender a Zona Sul de João Pessoa.

A Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência é referência estadual no atendimento a pessoas com deficiência e atua nas áreas de habilitação, reabilitação, inclusão social e educação.

Segundo Nabor, uma segunda estrutura permitiria aproximar os serviços dos moradores da região mais populosa da Capital.

O candidato também citou mobilidade urbana entre as demandas que pretende levar ao Senado, defendendo articulação de recursos federais para grandes projetos.

BR-230: Nabor promete cobrar conclusão das obras

A demora nas obras da BR-230 entre João Pessoa e Cabedelo também foi questionada durante a sabatina.

Nabor criticou o tempo de execução das intervenções e afirmou que, caso seja eleito, pretende cobrar explicações dos órgãos responsáveis e acompanhar a aplicação dos recursos.

“Entra governo, sai governo e ninguém conclui essa obra”, criticou.

O candidato defendeu uma fiscalização mais próxima dos contratos, do cronograma e da execução.

“Acho que tem que ter um acompanhamento, cobrar mais dos ministérios a execução dessa obra, ver quem está executando”, afirmou.

Nabor relacionou a conclusão da intervenção à situação do trânsito entre João Pessoa e Cabedelo, especialmente nos horários de maior movimento.

Segundo ele, um eventual mandato no Senado deverá cobrar “respostas rápidas” do governo federal sobre o empreendimento.

A intervenção na BR-230 faz parte do projeto de adequação de capacidade da rodovia na Região Metropolitana de João Pessoa. A obra contempla ampliação das pistas, vias marginais e construção de viadutos.

Relação com prefeitos

A forte presença de prefeitos na campanha de Nabor também foi explorada durante a entrevista.

Josival questionou o candidato sobre divergências que ocorreram no início da campanha entre lideranças que declaravam apoio a Nabor, mas não necessariamente ao outro candidato ao Senado da chapa governista, João Azevêdo (PSB).

Nabor afirmou que a estratégia atual é trabalhar pela chapa completa.

Segundo ele, divergências pontuais ocorreram porque alguns prefeitos ainda não haviam formalizado os dois votos para o Senado.

O candidato passou a defender conjuntamente sua candidatura e a de João Azevêdo.

Para Nabor, a experiência administrativa dos dois seria utilizada para auxiliar municípios e o Governo da Paraíba na articulação com Brasília.

STF e investigações

Assim como ocorreu nas entrevistas anteriores da Nova Brasil FM, a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) também entrou na sabatina.

Questionado sobre denúncias e controvérsias envolvendo integrantes da Corte, Nabor afirmou acompanhar o assunto “com muita preocupação” e defendeu investigação quando existirem fatos que precisem ser esclarecidos.

“Ninguém está acima da lei, e isso vale para político, para empresário e também para ministro do Supremo”, declarou.

Ao mesmo tempo, o candidato disse que não considera adequado antecipar condenações antes da conclusão das investigações.

“Também não podemos condenar ninguém antes de uma investigação e sem que os fatos sejam devidamente apurados”, acrescentou.

Nabor afirmou que, caso eleito senador, pretende defender a independência das instituições e a responsabilização de agentes públicos dentro das regras constitucionais.

Reta final

Na reta final da campanha, Nabor afirmou que pretende ampliar as atividades de rua e a presença principalmente nos grandes centros, onde reconhece possuir uma trajetória política menos conhecida do que no Sertão.

O candidato disse que utilizará os últimos programas do horário eleitoral para apresentar sua trajetória administrativa e propostas.

Nabor também reforçou a campanha conjunta com João Azevêdo, candidato ao Senado pelo PSB, e com o governador Lucas Ribeiro (PP), candidato à reeleição.

A estratégia, segundo ele, será apresentar a chapa governista de maneira integrada aos eleitores.

A sabatina desta quarta-feira foi a terceira da rodada promovida pela Nova Brasil FM 102,5. André Gadelha (MDB) foi entrevistado na segunda-feira (14) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB), na terça-feira (15). A programação prevê ainda entrevistas com Marcelo Queiroga (PL), nesta quinta-feira (17), e João Azevêdo (PSB), na sexta-feira (18).

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