Foto: Cristiano Mariz / VEJA
Uma
das características que Jair Bolsonaro mais admira em Abraham
Weintraub, o novo ministro da Educação, é o seu “viés
ideológico” e a forma rude como ele trata o petismo. Ele se
refere a Lula como “Nove Dedos”. Xinga o ex-presidente
petista de “sicofanta”
(patife, impostor).
Em
setembro de 2018, numa transmissão ao vivo pela internet, o agora
ministro da Educação insinuou que o programa de governo de
Bolsonaro romperia paradigmas. Para enfatizar seu ponto de vista,
evocou Lula: “Como diria o Nove Dedos, nunca antes na história
republicana se discutiu esse tipo de coisa.”
Ensino superior – Nessa
exposição, conforme já noticiado aqui, Weintraub sustentou a tese
segundo a qual universidades
do Nordeste não deveriam oferecer cursos de disciplinas como
sociologia e filosofia. Acha que a prioridade deveria ser
o ensino de agronomia, em parceria com Israel.
“Em
Israel, o Jair Bolsonaro tem um monte de parcerias para trazer
tecnologia aqui para o Brasil”, declarou. “Em vez de as
universidades do Nordeste ficarem aí fazendo sociologia, fazendo
filosofia no agreste, [devem] fazer agronomia, em parceria com
Israel. Acabar com esse ódio de Israel. Israel, nas faculdades
federais, é loucura o que você escuta, né?”
Em
dezembro de 2018, quando Bolsonaro já havia prevalecido nas urnas
sobre o rival petista Fernando Haddad, Weintraub participou de uma
“Cúpula Conservadora” idealizada pelo deputado Eduardo
Bolsonaro (PSL-SP). Dividiu o palco com seu irmão, o advogado Arthur
Weintraub, hoje assessor de Bolsonaro.
Numa
palestra em que defendeu o expurgo do “marxismo cultural”
nas universidades por meio de uma adaptação das teses do
autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho, o agora ministro
perguntou ao irmão a certa altura: “Não posso xingar o Lula,
né Arthur?”. E emendou: “O sicofanta do Lula… Ele nunca
vai saber o que é sicofanta…”
No mesmo
evento, Abraham Weintraub revelou-se obcecado pelo comunismo. Ao
responder sobre reforma da Previdência, tema do qual se ocupava na
equipe de transição de governo, ele declarou: “A reforma está
sendo propositalmente escondida, para evitar tiroteio desnecessário
antes. Mas ela está bem avançada…”
Nesse
ponto, o orador emendou, do nada, uma teoria que acomoda “comunistas”
nos locais mais insuspeitados: “A gente não chegou nessa
situação porque os comunistas são pobres. Os comunistas estão no
topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles
são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas;
eles são os donos dos monopólios…”
Abraham
Weintraub prosseguiu: “Os monopolistas apoiaram Lula, estavam
dando dinheiro para o Haddad. A gente não conseguiu ter um apoio de
qualquer grande instituição durante a campanha. E qual foi a
sacada? Desintermediar. Houve uma comunicação do Jair Bolsonaro e
toda a campanha diretamente com o povo através das mídias sociais.”
O novo
titular da Educação talvez enfrente dificuldades se precisar
submeter alguma proposta à apreciação do Congresso. Na palestra à
plateia conservadora, Weintraub falou em voz alta sobre o desprezo
que o governo Bolsonaro dedica à oligarquia que controla os
principais partidos políticos no Legislativo.
“Acho
que agora, capitaneado pelo Onyx Lorenzoni [chefe da Casa Civil],
está se tentando fazer a mesma coisa [a desintermediação] no
Congresso. Os antigos parlamentares, que eram donos de grupos,
grupelhos, estão sendo atravessados, para chegar diretamente à base
de apoio, para conversar republicanamente com a base de
congressistas. A Estimativa é que a gente vai ter 350 [deputados] na
base [de apoio ao governo]. Mais do que suficiente para passar tudo o
que for necessário.”
Depois
dessa palestra, Weintraub tornou-se o número dois da Casa Civil.
Deve ter percebido nos primeiros 100 dias de governo que a pretensão
de Bolsonaro e Lorenzoni de “atravessar” os caciques do
Legislativo para “conversar republicanamente com a base de
congressistas” resultou em fiasco. No momento, Bolsonaro
dedica-se justamente a receber os velhos tecelões dos partidos.
As informações são do Blog do Josias, do Uol.

