TSE esclarece boato sobre chips de Taiwan nas urnas eletrônicas

Primeiro conteúdo de série do TSE explica a origem dos componentes eletrônicos e esclarece como eles são utilizados nas urnas eletrônicas

Yasmim Pessoa
Yasmim Pessoa
Jornalista formada há quase 10 anos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com trajetória em jornalismo político, hard news e mídias digitais, integra atualmente a equipe do portal TH+ João Pessoa. Curiosa e atenta aos movimentos do cotidiano, encontra no universo latino uma de suas principais inspirações. Acredita na rebeldia da comunicação como força para contar histórias, informar com responsabilidade e dar visibilidade a diferentes vozes.
Foto: TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou a publicação da série “Fato ou Boato – Viralizou: saiba o que é verdadeiro sobre a urna eletrônica”, que reúne 11 conteúdos voltados ao esclarecimento de informações falsas relacionadas às eleições e ao sistema eletrônico de votação. As publicações serão divulgadas no Portal do TSE até o dia 6 de setembro, sempre às segundas e quintas-feiras.

A iniciativa integra a programação da primeira edição da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, realizada até 9 de agosto. Segundo o tribunal, a ação busca ampliar o conhecimento da população sobre o funcionamento das urnas eletrônicas, além de apresentar informações sobre os mecanismos de segurança, transparência e auditabilidade utilizados no processo eleitoral.

Primeiro conteúdo aborda boato sobre chips das urnas

A primeira publicação da série trata de uma informação falsa que circulou nas redes sociais, segundo a qual os ex-presidentes do TSE, ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, teriam determinado a fabricação de mais de 250 mil chips em Taiwan para fraudar eleições.

De acordo com o tribunal, a alegação é falsa e surgiu a partir da interpretação equivocada de uma reportagem sobre a crise global de semicondutores durante a pandemia de covid-19, período em que houve impacto na produção de equipamentos eletrônicos em diversos países, incluindo as urnas eletrônicas brasileiras.

Naquele período, a empresa Positivo Tecnologia, que venceu a licitação, fabricava as urnas do modelo UE2020. Diante da escassez de componentes, o TSE adotou medidas para garantir a continuidade da produção. 

A urna eletrônica nacional é um projeto específico, desenvolvido com arquitetura de segurança única. Ela utiliza componentes e semicondutores de mercado, fornecidos “limpos” de fábrica. 

Nos modelos UE2020 e UE2022, são utilizados quatro chips fabricados por empresas de Taiwan:

  • Chip da Realtek: fabrica o chip utilizado na urna com a função de gerar o áudio que sai da placa-mãe para o fone de ouvido que é utilizado por pessoas com deficiência visual na hora da votação;   
  • Chips da Nuvoton: fabricam três chips que contribuem para o controle de partes da urna, como o terminal do mesário, a fonte de alimentação e o teclado do equipamento.  

Ainda conforme o TSE, os componentes chegam ao Brasil sem informações gravadas. Os dados de criptografia e os demais conteúdos utilizados no sistema são inseridos exclusivamente em território nacional, na presença de servidores da Justiça Eleitoral, conforme previsto no contrato de fabricação.

O tribunal também informou que a lista dos componentes e o esquema elétrico das urnas ficam disponíveis para análise durante o Teste Público de Segurança (TPS), procedimento realizado periodicamente para verificar a segurança do sistema eletrônico de votação.

Fato ou Boato

Desde 2020, o TSE mantém a página “Fato ou Boato”, destinada à verificação e ao esclarecimento de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A iniciativa faz parte do Programa de Enfrentamento à Desinformação, que reúne mais de 70 instituições com o objetivo de combater conteúdos enganosos sobre a democracia e as eleições.

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