Soroterapia funciona? Anvisa explica riscos e falta de comprovação científica do procedimento

Prática popularizada nas redes sociais promete mais energia e imunidade, mas não possui eficácia comprovada para esses objetivos

Yasmim Pessoa
Yasmim Pessoa
Jornalista formada há quase 10 anos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com trajetória em jornalismo político, hard news e mídias digitais, integra atualmente a equipe do portal TH+ João Pessoa. Curiosa e atenta aos movimentos do cotidiano, encontra no universo latino uma de suas principais inspirações. Acredita na rebeldia da comunicação como força para contar histórias, informar com responsabilidade e dar visibilidade a diferentes vozes.
Foto: Shutterstock

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou sobre a falta de evidências científicas que comprovem os benefícios da chamada soroterapia para pessoas saudáveis. O procedimento, divulgado principalmente nas redes sociais, costuma ser associado a promessas como aumento de energia, fortalecimento da imunidade, rejuvenescimento e ações de “detox”.

Segundo a agência, a administração intravenosa de vitaminas, nutrientes, medicamentos e outras substâncias deve ser realizada apenas em situações de necessidade clínica comprovada e com indicação de profissional de saúde habilitado.

A soroterapia é frequentemente apresentada como a aplicação de vitaminas e outros compostos diretamente na corrente sanguínea de pessoas sem doenças ou deficiências diagnosticadas. No entanto, de acordo com a Anvisa, não há comprovação científica de que a prática traga benefícios como melhora do bem-estar, prevenção de doenças ou aumento da disposição em indivíduos saudáveis. A aplicação na veia pode causar infecções, reações alérgicas e outros problemas.

A Anvisa destaca que a administração intravenosa de nutrientes e medicamentos faz parte da prática médica em determinadas situações, como em pacientes desidratados, internados ou que não conseguem receber nutrientes adequadamente pela alimentação. Fora desses casos, a agência informa que não existem evidências suficientes que comprovem a segurança e a eficácia da soroterapia com finalidade estética, de fortalecimento da saúde ou de prevenção de doenças em pessoas saudáveis.

Excesso de vitaminas também pode causar problemas

Outro ponto de atenção é o uso excessivo de vitaminas. A ingestão ou administração de quantidades acima das necessidades do organismo pode causar hipervitaminose, condição associada a sintomas como náuseas, vômitos e dor de cabeça, além de possíveis alterações no funcionamento do fígado, dos rins e de outros órgãos.

A recomendação é que vitaminas e outros nutrientes sejam utilizados de acordo com necessidades identificadas por avaliação profissional.

Anvisa orienta consumidores a verificar informações antes de realizar procedimentos

A Anvisa é responsável por avaliar e regulamentar medicamentos, suplementos alimentares, produtos para saúde e equipamentos, considerando critérios de segurança, qualidade, eficácia e regularização sanitária.

A agência orienta que consumidores:

  • verifiquem se os produtos utilizados estão regularizados na Anvisa;
  • confirmem se o profissional responsável possui habilitação para realizar o procedimento;
  • consultem o conselho profissional correspondente para saber se a prática é reconhecida e autorizada.

Não existe cosmético injetável

A Anvisa também reforça que cosméticos são produtos destinados ao uso externo, aplicados na pele, cabelos, unhas, lábios, dentes ou parte externa da boca.

Substâncias aplicadas por injeção não são classificadas como cosméticos. Nesses casos, os produtos devem se enquadrar como medicamentos ou dispositivos médicos e precisam estar aprovados pela Anvisa para a finalidade de uso indicada.

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