A tecnologia chegou ao mercado funerário e está transformando a forma como familiares se despedem dos mortos. Hoje, parentes acompanham cerimônias em outros países, amigos participam por vídeo e mensagens de condolências chegam em tempo real. Embora não substitua o abraço, a inovação permite que ele ultrapasse distâncias físicas, criando novas formas de presença em momentos de despedida.
A transformação digital do setor também trouxe serviços de atendimento remoto, memorialização online e suporte emocional virtual, redefinindo como famílias prestam homenagens e enfrentam a perda.
Segundo estudos do IBGE sobre digitalização de serviços no Brasil e relatórios da National Funeral Directors Association (NFDA), dos Estados Unidos, o setor funerário tem passado por uma modernização acelerada. Mudanças nos hábitos de consumo, a mobilidade das famílias e a busca por soluções mais ágeis e acessíveis estão entre os fatores que impulsionam essa transformação. No país, empresas como o Grupo Morada têm explorado essas inovações mantendo práticas voltadas à humanização.
“Hoje, não se trata apenas de realizar um velório ou sepultamento, mas de oferecer experiências mais personalizadas, menos burocráticas e que conectem as pessoas, mesmo à distância”, afirma Emerson Matos, diretor executivo do Grupo Morada.
A incorporação de tecnologia no setor funerário acompanha a busca das famílias por praticidade, sem comprometer o atendimento humano. Para Emerson, os recursos digitais passaram a funcionar como aliados do acolhimento.
O grupo adotou soluções como a Funerária Digital, que permite a contratação de serviços online com assinatura eletrônica; o Velório Virtual, que possibilita a participação remota de familiares; e o Morada da Memória, um memorial online para compartilhamento de homenagens, fotos e mensagens antes, durante e após as cerimônias. Em muitas delas, parentes que vivem em outros estados ou países participam ao vivo, enviam mensagens e compartilham lembranças, ampliando a inclusão e a conexão durante o momento de despedida.
O conceito de “humanização tecnológica”, presente em setores como saúde e cuidados finais, refere-se ao uso da tecnologia para ampliar o cuidado, sem substituí-lo.
“Uma cerimônia pode ser transmitida online para quem está distante, mas com a presença acolhedora da cerimonialista no local. Um contrato pode ser assinado digitalmente, evitando deslocamentos, sempre com o acompanhamento de um profissional especializado em luto”, detalha Emerson. “Para nós, a tecnologia não é um atalho, é uma extensão do cuidado. Ela chega onde o abraço físico não alcança, mas nunca substitui a presença, a escuta e o olhar atento”, complementa.
Esse modelo híbrido reflete uma tendência já observada em estudos sobre health tech e care tech, apontados por instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS), que destacam o papel da tecnologia na ampliação do acesso ao cuidado emocional e social.
Outro impacto relevante da tecnologia no setor funerário é a transformação da forma de lembrar e homenagear. Os memoriais digitais permitem que a despedida não se restrinja a um único dia ou local físico.
“Nosso compromisso é conservar o que é essencial – o respeito, o acolhimento, a dignidade da cerimônia – e, ao mesmo tempo, usar a tecnologia para tornar esse momento mais acessível, personalizado e conectado com a realidade atual. Toda inovação que trazemos para o setor precisa responder a uma pergunta simples: isso aumenta o cuidado com as famílias? Se a resposta for sim, faz sentido seguir em frente”, conclui Emerson Matos.



