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Viúva de Jackson do Pandeiro relembra vida, obra e influência do artista na música brasileira

Jackson do pandeiro cantor, compositor e instrumentista

Jackson do Pandeiro, cantor, compositor e instrumentista paraibano. Foto: FolhaPress

INFLUÊNCIA NA MÚSICA BRASILEIRA 

Sem filhos por causa da esterilidade, Jackson deixou incontáveis herdeiros na musicalidade ao longo dos anos. A
influência do Rei do Ritmo na trajetória de outros ícones
nacionais traduz a capacidade do artista em interferir na formação
de novos artistas. O professor de Música Popular e Acordeão da
Universidade Federal da Paraíba, Hélio Giovani, relembra a
importância do centenário nessa realidade. “Jackson
é, sem dúvidas, uma das maiores inspirações de toda geração
artístico-musical posterior a ele. É influência na música de
Gilberto Gil, Caetano Veloso, Novos Baianos, Lenine e Chico César
“,
afirma.

Reconhecendo
a habilidade de Jackson em contribuir com maestria na valorização
do ritmo nordestino, ainda que misturando o coco com o samba carioca,
o professor acrescenta: “Ele trouxe uma forma nova de cantar as
melodias, cheio de síncopes e contratempos, como ele mesmo gostava
de chamar de ‘remandiola’
“, ressalta.

Hélio
Giovani aponta também as características que distinguem a carreira
de três pilares da música nordestina, a partir do século XX,
composto por Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro. “
muitos fatores que podem influenciar na visibilidade de cada artista,
no acesso ao público e a permanência na lembrança das pessoas
“,
explica. “Dominguinhos
esteve vivo e atuante no cenário musical brasileiro até final de
2012. Ele é um ‘herdeiro musical’ de Luiz Gonzaga. Acredito que,
por essa razão, a música do Rei do Baião tenha sido, de certa
forma, mais difundida pós morte. Além disso, Gonzaga sempre foi
mais ligado ao marketing do seu próprio trabalho e, dessa forma,
perdura mais na crista do sucesso do que Jackson
“, pontua.

Foto: Divulgação/Maria Sem Vergonha

MULHERES NO PANDEIRO

O trio Maria Sem Vergonha, formado em maio de 2018, retrata que também há mulheres no cenário musical historicamente composto por homens. Através das suas vozes e composições, Katiusca Lamara, Carol Benigno e Nívea Maria reivindicam e exercem a representatividade feminina contribuindo para a ressignificação do forró nordestino.

As canções do Rei do Ritmo fazem parte do repertório dos shows e refletem a grandiosidade do artista capaz de inspirar a carreira de jovens iniciantes, mesmo após um século de existência.

Ele é um artista fundamental no desenvolvimento da minha musicalidade. Para um músico, ele é uma grande biblioteca porque a sua forma de cantar, a criatividade musical, arranjos, letras e instrumentação, servem de referência para quem faz e estuda música. Entrar em contato com as obras de Jackson é conhecer boa parte dos ritmos e musicalidade nordestina“, afirmou a percussionista do grupo, Katiusca Lamara.

Além disso, ele exprime a realidade cultural nordestina e seus contextos de forma descontraída, com uma maneira de cantar única e que, até hoje, estão presentes nos trabalhos dos novos artistas que o tem como inspiração“, acrescentou Nívea Maria, flautista do conjunto Maria Sem Vergonha.

Para o trio, o artista se tornou influência direta fruto da capacidade de carregar as dores e as delícias do Nordeste. “Jackson representa uma escola para a música nordestina. Ele também deu visibilidade a muitos ritmos regionais e isso chega até nós como herança cultural. As músicas dele refletem diretamente na minha estética sonora. A habilidade dele ajuda a me entender e me reinventar. Sua obra é como uma estrela-guia, a partir da qual, construímos o nosso som“, ressaltou a sanfoneira do trio, Carol Benigno.

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