Uma criança de 2 anos foi socorrida na tarde desta terça-feira (23) e encaminhada ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa após sofrer um engasgo provocado por corpo estranho. De acordo com informações hospitalares, o atendimento ocorreu por volta das 14h48, e a paciente é procedente do bairro de Mangabeira.
A criança foi conduzida por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), passou por procedimentos médicos de emergência e permanece internada, com quadro clínico considerado grave.
Casos de engasgo em crianças estão entre as principais emergências pediátricas no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), mais da metade dos episódios ocorre em crianças menores de 4 anos, e cerca de 94% das aspirações de corpo estranho acontecem antes dos 7 anos de idade.
De acordo com a pediatra Maria da Glória Neiva, coordenadora da pediatria do Hospital Vitória, da Rede Américas, alguns alimentos oferecem maior risco. “Alimentos pequenos, arredondados ou de formato cilíndrico, como uvas inteiras, sementes, castanhas e amendoins, são os que mais causam engasgos”, explica.
A especialista destaca ainda que fatores anatômicos e comportamentais contribuem para o risco. “O trato respiratório das crianças é mais estreito, o que dificulta a passagem de ar. Além disso, crianças entre dois e três anos ainda não possuem molares, conseguindo morder, mas não triturar completamente os alimentos. Soma-se a isso o hábito de levar objetos à boca, o que torna a supervisão constante essencial”, afirma.
Situações de engasgo exigem atenção imediata. Segundo a especialista, embora a tosse seja um sinal comum, nem sempre o engasgo é perceptível. “Em alguns casos, o bloqueio das vias aéreas é silencioso. A criança não consegue emitir sons e pode apresentar falta de ar, dificuldade respiratória e lábios arroxeados. Nessas situações, é fundamental pedir ajuda imediatamente, realizar a manobra de Heimlich, se o cuidador for treinado, e procurar uma emergência pediátrica”, orienta.
Especialistas reforçam que a prevenção é a principal forma de reduzir o risco de engasgos na infância. Entre as recomendações estão:
- Supervisionar sempre a alimentação de crianças pequenas;
- Cortar os alimentos em pedaços adequados à idade;
- Não alimentar a criança enquanto ela corre, brinca, anda, está deitada ou em veículos em movimento;
- Evitar oferecer alimentos quando a criança está chorando;
- Orientar para não falar enquanto mastiga;
- Manter objetos pequenos fora do alcance, especialmente itens pontiagudos e baterias;
- Respeitar a faixa etária indicada nas embalagens dos brinquedos, conforme normas do Inmetro;
- Evitar adereços, como pulseiras e medalhas, nos braços de bebês.
O estado de saúde da criança internada em João Pessoa segue sendo acompanhado pela equipe médica, e novas informações devem ser divulgadas conforme a evolução do quadro clínico.



