Dia das Mães pode acentuar sentimentos de solidão em idosos com “Síndrome do Ninho Vazio”

Especialistas destacam importância da rede de apoio, rotina ativa e vínculos sociais para o bem-estar na terceira idade

A celebração do Dia das Mães costuma reforçar vínculos familiares e memórias afetivas, mas também pode evidenciar sentimentos de solidão em pessoas, principalmente idosas, que passaram por mudanças importantes no núcleo familiar. Entre essas situações está a chamada “Síndrome do Ninho Vazio”, fenômeno emocional associado à sensação de vazio, tristeza e perda de propósito após a saída dos filhos de casa ou a morte de um ente querido.

Embora não seja reconhecida como um diagnóstico clínico formal, a condição é descrita na psicologia do desenvolvimento como uma reação emocional comum em fases de transição familiar. Na terceira idade, esse impacto tende a ser mais significativo devido à soma de outros fatores, como aposentadoria, limitações físicas e redução do convívio social.

Entre os sintomas mais frequentes estão tristeza persistente, baixa autoestima, sensação de inutilidade, alterações no sono, falta de energia, ansiedade e dificuldade para reorganizar a rotina. Em alguns casos, também podem surgir sentimentos ambivalentes, como orgulho pela autonomia dos filhos, ao mesmo tempo em que há sofrimento pela mudança na dinâmica familiar.

O impacto costuma ser maior quando a identidade da pessoa esteve fortemente ligada ao papel de mãe ou cuidadora ao longo de muitos anos. Com a saída dos filhos, o cotidiano deixa de ser guiado por demandas familiares, exigindo reconstrução de hábitos, papéis e novas fontes de sentido.

De acordo com o médico geriatra da Acuidar, Dr. Vitor Hugo de Oliveira, a rede de apoio é essencial no momento de transição. “O suporte emocional é importante em qualquer fase da vida; para o idoso, ainda mais, principalmente se essa pessoa estiver passando por algum período de transição ou adaptação. Quanto maior for o apoio familiar, a convivência com amigos, a participação em grupos e a prática de atividades físicas, melhor tende a ser a saúde mental, a saúde física e a qualidade de vida dessa pessoa”, destaca.

Como explica Dr. Vitor Hugo, o primeiro passo é compreender que essa reação é humana e comum diante de mudanças afetivas relevantes. Manter contato frequente com os filhos, mesmo à distância, pode ajudar no processo de adaptação, assim como investir em novas atividades, fortalecer amizades e retomar interesses deixados em segundo plano ao longo dos anos. Também é recomendável preservar uma rotina ativa, com compromissos sociais e estímulos cognitivos. Cursos, atividades físicas, grupos de convivência, voluntariado e hobbies podem contribuir para ampliar vínculos e resgatar o senso de autonomia.

Quando os sintomas se tornam intensos ou persistentes, o suporte psicológico ou médico pode ser importante para evitar agravamentos, como quadros depressivos ou isolamento social prolongado. Um cuidador profissional que faça companhia, estimule diálogos e acompanhe a rotina diária também pode garantir um ambiente mais saudável.

O Dia das Mães pode ser uma oportunidade para ampliar o olhar sobre o envelhecimento emocional. Mais do que homenagens pontuais, a presença constante, a escuta ativa e a inclusão da pessoa idosa na rotina familiar são atitudes que fazem diferença para o bem-estar ao longo de todo o ano.

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