A morte do dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, nesta terça-feira (7), aos 95 anos, voltou a colocar em evidência a doença renal crônica (DRC), condição caracterizada pela perda lenta e progressiva da função dos rins. O autor de novelas como Pantanal, Renascer e O Rei do Gado convivia com a doença havia cerca de três anos e apresentava um quadro avançado, quando os rins já não conseguem desempenhar adequadamente suas funções.
Considerada um importante problema de saúde pública, a doença renal crônica afeta cerca de 788 milhões de pessoas no mundo, segundo estudo publicado na revista científica The Lancet. Somente em 2023, mais de 1,48 milhão de mortes foram associadas à doença.
O que é a doença renal crônica?
A doença renal crônica ocorre quando os rins sofrem lesões que reduzem sua capacidade de filtrar o sangue por um período superior a três meses. Essa perda de função acontece de forma gradual e, na maioria dos casos, é irreversível.
Os rins exercem funções essenciais para o organismo. Além de remover toxinas e resíduos do sangue por meio da urina, eles ajudam a controlar a pressão arterial, equilibram os níveis de água e minerais, regulam a produção de glóbulos vermelhos e contribuem para a saúde dos ossos.
Quando esses órgãos deixam de funcionar corretamente, substâncias que deveriam ser eliminadas passam a se acumular no organismo, aumentando o risco de complicações como anemia, hipertensão, doenças cardiovasculares e insuficiência renal.
Principais sintomas
Um dos maiores desafios da doença é que ela costuma evoluir de forma silenciosa. Em muitos pacientes, os sintomas só aparecem quando a função dos rins já está significativamente comprometida.
Os principais sinais incluem:
- Cansaço extremo e fraqueza persistente;
- Urina com espuma ou presença de sangue;
- Redução da quantidade de urina;
- Inchaço nos pés, tornozelos, pernas ou rosto;
- Pressão alta de difícil controle;
- Náuseas e vômitos;
- Perda de apetite;
- Cãibras musculares;
- Coceira constante na pele;
- Falta de ar;
- Dificuldade de concentração e confusão mental.
Como a doença evolui?
A doença renal crônica é dividida em cinco estágios, definidos pela Taxa de Filtração Glomerular (TFG), exame que mede a capacidade dos rins de filtrar o sangue.
- Estágio 1: há sinais de lesão renal, mas a função dos rins permanece preservada.
- Estágio 2: ocorre uma leve redução da função renal, normalmente sem sintomas.
- Estágio 3: a perda da função torna-se moderada e podem surgir fadiga, alterações na urina e inchaço.
- Estágio 4: os rins apresentam comprometimento grave e o paciente pode precisar se preparar para terapias de substituição da função renal.
- Estágio 5: representa o estágio mais avançado da doença. Nessa fase, os rins deixam de exercer adequadamente suas funções, sendo necessária, na maioria dos casos, a realização de hemodiálise ou transplante renal.
Quem tem maior risco?
As principais causas da doença renal crônica são:
- Diabetes;
- Hipertensão arterial;
- Infecções renais recorrentes;
- Doenças autoimunes;
- Doenças hereditárias;
- Cálculos renais de repetição;
- Uso frequente de medicamentos, principalmente anti-inflamatórios, sem orientação médica.
Pessoas com mais de 60 anos, histórico familiar da doença, obesidade ou doenças cardiovasculares também apresentam maior risco de desenvolver o problema.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser feito por meio de exames simples de sangue e urina, como a dosagem da creatinina e o cálculo da Taxa de Filtração Glomerular (TFG), além da pesquisa de proteínas na urina. Em alguns casos, exames de imagem também auxiliam na avaliação dos rins.
Como a doença pode permanecer sem sintomas durante anos, especialistas recomendam que pessoas com fatores de risco realizem acompanhamento médico e exames periódicos.
Tratamento
A doença renal crônica não tem cura, mas o tratamento pode retardar sua progressão e reduzir o risco de complicações.
As principais medidas incluem:
- Controle rigoroso da pressão arterial e da diabetes;
- Alimentação equilibrada, com redução do consumo de sal;
- Prática regular de atividade física;
- Uso de medicamentos prescritos pelo nefrologista;
- Evitar o uso indiscriminado de anti-inflamatórios.
Nos casos mais avançados, quando a função dos rins está gravemente comprometida, o paciente pode precisar de hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal para substituir a função dos órgãos.
A importância do diagnóstico precoce
Especialistas alertam que a identificação precoce da doença é a principal forma de retardar sua evolução. Como os sintomas costumam surgir apenas nos estágios mais avançados, o acompanhamento médico e a realização de exames periódicos são fundamentais, especialmente para pessoas com diabetes, hipertensão ou histórico familiar de doença renal.

