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Em busca do quinto ouro paralímpico, paraibanos dominam Seleção Brasileira de Futebol de 5

Se nos Jogos Olímpicos de Tóquio o Nordeste representou muito bem a região ficando com quatro das sete medalhas de ouro conquistadas pelo Brasil, as Paralímpiadas prometem repetir, e quem sabe até melhorar esse ótimo desempenho.

Quando o assunto é futebol de 5, o cenário fica ainda mais animador. É que a Seleção Brasileira foi vencedora das quatro edições de Jogos Paralímpicos realizados com a modalidade na grade nos anos de 2016, 2012, 2008 e 2004.

Em todas essas edições, um paraibano fixou seu nome na história. Fábio Luiz Vasconcelos, paraibano de Campina Grande, acumula inúmeros títulos pelo Brasil, entre eles o tetracampeonato olímpico, atuando na posição de goleiro e como técnico em 2016.

Ao longo dos anos fez grandes defesas e conquistou praticamente todas as competições que disputou. É também bicampeão da Copa América (2013 e 2019) e bicampeão mundial (Japão em 2014 e 2018 na Espanha). Como treinador, Fábio tem os títulos do Parapan em 2015 no Canadá e em 2019 no Peru.

Depois da passagem histórica como jogador, em 2013 Fábio pendurou as luvas e assumiu o comando da Seleção Brasileira, graças à experiência como jogador e por conhecer profundamente o esporte e os adversários. Com a missão nova, surgiram novas responsabilidades. “Ser treinador é uma responsabilidade tão grande quanto a de ser jogador. É gerir tanto atletas quanto comissão técnica. É adotar a metodologia que eu tinha em mente. Trouxe muita coisa do futsal, para implementar no futebol de 5. No início não foi fácil, mas aos poucos os atletas foram entendendo e tendo êxito. Hoje a Seleção Brasileira jogando apresenta uma intensidade muito alta. É um jogo muito próximo do futsal convencional”, analisou.

Mesmo com uma bagagem campeã, o frio na barriga é inevitável. “Se a gente perde essa sensação de frio na barriga, de ansiedade, não faz sentido estar aqui. Essa paralímpiada vai ser uma competição diferente. Passamos o ano de 2020 praticamente parados, orientando os atletas à distância”, explicou sobre os desafios enfrentados durante a pandemia.

Mais Paraíba na Seleção

O que pouca gente sabe, é que o futebol de 5 brasileiro tem fortes raízes no Nordeste, berço de tradicionais instituições formadoras de atletas como o Instituto de Cegos da Bahia (ICB), maior campeão nacional da história, com sete taças. A comissão técnica da Seleção adotou o ‘tempero nordestino’  e reuniu cinco pessoas nascidas em Campina Grande para formar a “República da Paraíba”.

Além do técnico Fábio Vasconcelos, o precursor desse grupo, a Seleção conta com Josinaldo Sousa, o Bamba, como auxiliar. “Comissão técnica é basicamente como uma família. Tem de ter pessoas da mais alta confiança, que se identificam com o treinador. E, é claro, ser competentes, vir para produzir. Quando assumi, levei Bamba de imediato, era uma das condições. Ele trabalhou bastante comigo e tinha vindo do profissional, sabia o que era o alto rendimento”, contou em uma entrevista no ano passado.

Acessibilidade: Bamba e Fábio estão lado a lado apoiados na banda da quadra observando o jogo. O treinador leva a mão esquerda à testa para tapar a luz do sol que bate em seu rosto. Foto: CBDV

Outro campinense convidado a se juntar ao grupo  foi o fisioterapeuta Halekson de Freitas, que também conhecia Fábio das quadras de futsal em Campina Grande. Na adolescência, haviam jogado juntos e em lados oposto da quadra. Muito tempo depois, veio o convite: “Em 2012, fui passar férias em João Pessoa e me encontrei com Fábio por lá. Tinha assistido a algumas partidas da Paralimpíada de Londres”, relembra Haleks. Junto, o trio conquistou todos os títulos possíveis da modalidade: um ouro paralímpico (Rio 2016), dois Mundiais (Madri 2018 e Tóquio 2014), dois Parapans (Lima 2019 e Toronto 2015) e duas edições de Copa América (2019 e 2013).

Em 2018, o fisiologista Alexandre Silva chegou à Seleção, também por convite de Fábio. Quando criança, ele morava na rua de trás da casa de Fábio, mas os dois não eram amigos próximos. Mais tarde, já exercendo o cargo de professor em uma escola da cidade, teve Fábio como aluno quando o goleiro se arriscava também nas quadras de handebol.

“O Fábio queria uma pessoa com muita experiência na fisiologia e no futebol. Às vezes, não basta só o conhecimento técnico, é preciso ter experiência com a cultura da modalidade. E como trabalhei com futebol profissional em vários clubes do Nordeste, ele me convidou. Foi minha primeira experiência no paralímpico”, contou Alexandre.

Por fim, no ano passado, foi a vez do preparador físico Edson Júnior entrar para o time. Ele começou como goleiro de futebol de 5 em 1999 e chegou a disputar o Mundial de 2002, no Rio, quando o Brasil acabou na terceira colocação – no ano seguinte, Fábio iniciaria sua trajetória como goleiro da Seleção. “Nós nos conhecemos há mais de 20 anos, fizemos a graduação juntos, treinávamos juntos. Em 2007, tive de ir embora para Rondônia, foi quando cortamos pela primeira vez nosso laço de amizade”,  disse.

Acessibilidade: usando gorro e jaqueta da Seleção, Bamba sacode a bandeira da Paraíba na quadra enquanto comemora o título do Parapan de Lima, em 2019. Foto: Cbdv

Acessibilidade: Alexandre ajeita alguns frequencímetros (monitores cardíacos). À frente do fisiologista, o atleta Lucas Caetano aguarda, apoiado na banda. Foto: CBDV

Junior observa Luan fazer abdominais em um colchonete dentro do campo de grama sintética do CT Paralímpico. O preparador físico está de pé, pisando nos dois pés do goleiro para servir como ponto de apoio no exercício. Foto: CBDV

Entre os jogadores, a Seleção Brasileira de Futebol de 5 tem os paraibanos Luan Lacerda e Matheus (goleiros), Maicon (ala) e Damião Robson (fixo). 
Acessibilidade: Luan está curvado, com os braços e corpo esperando a chegada da bola, que aparece à direita da imagem próxima do trono do goleiro. Foto: Alê Cabral/ CPB

OS OLHOS DA SELEÇÃO
O goleiro Luan Lacerda tem 28 anos e é um dos paraibanos da Seleção de Futebol de 5. Ele assumiu a missão de guardar a meta brasileira nas Paralímpiadas e ocupar a vaga que por muitos anos foi do paraibano Fábio Vasconcelos, hoje técnico.

O atleta foi convocado pela primeira vez no ano de 2013. Iniciou cedo a carreira no esporte, jogando futsal desde os 8 anos, e atuou em equipes tradicionais da Paraíba como Treze, Facisa, Clube Campestre, C.O.P.M e Benfica. Fora das quadras, Luan mostra seu talento no grupo de louvor da Igreja Cidade Viva, onde congrega, em João Pessoa.

A Olímpiada de Tóquio será a segunda de Luan. Ele foi campeão em 2016 no Rio de Janeiro. Mesmo com toda experiência e carregando o peso do favoritismo, quando a bola com o guizo rolar, todos as seleções entram em posição de igualdade. É a hora de mostrar habilidade e pôr em prática os ensinamentos adquiridos nos muitos anos de treinamento.

“Realmente o favoritismo existe por conta de tudo que já conquistamos. Mas nunca levamos isso pra quadra. Cada campeonato é uma história e sabemos dos jogos difíceis que encontramos. Nosso grupo é muito experiente e sabemos lidar com essas situações”, disse ao Portal T5.

MELHOR ATAQUE DO MUNDO

Ricardinho é, sem dúvidas, a maior referência quando o mundo trata sobre futebol de 5. O desempenho em todas as competições que disputou até hoje o referenciam como o melhor atleta da modalidade. Dono de dribles seguros, passes precisos e uma habilidade incontestável, o gaúcho é uma das esperanças do Brasil na luta pelo ouro nas Paralímpiadas.

Em entrevista exclusiva para o Portal T5, o craque contou que mesmo com toda experiência em competições desse porte, é inevitável conter a ansiedade em sua quarta participação em Olímpiadas. “Pelas quatro edições das Paralímpiadas que o futebol de 5 participou e o fato de ter ganhado as quatro medalhas de ouro, sem dúvidas, a gente é considerado favorito. Por esses resultados e outros que o Brasil conquistou ao longo dos anos. Isso é inegável, mas nós temos os pés nos chão e sabemos que esse favoritismo tem que ficar fora das quatro linhas. Além disso, sabemos que as equipes adversárias estão estudando muito o Brasil, nos últimos anos, e cada vez a gente encontra mais dificuldades”, explicou.

A experiência da equipe pode ser um diferencial nessa competição, mas outros ingredientes devem ser adicionados à essa receita de sucesso: “Humildade, pé no chão e determinação. Sem isso, a gente não chega lugar nenhum”, ponderou.

CALENDÁRIO
Os Jogos Paralímpicos de Tóquio começarão no dia 24 de agosto. O Brasil está no Grupo A, ao lado de Japão, França e China. Já o Grupo B é formado por Argentina, Espanha, Marrocos e Tailândia. A competição é disputada no formato de todos contra todos dentro das chaves, em turno único. Os dois melhores de cada grupo avançam às semifinais. O fut5 será disputado de 29 a 31 de agosto, com semifinais no dia 2 de setembro de setembro e disputa por medalhas no dia 4.

“A chave do Brasil ficou forte, mais equilibrada do que a outra. Mas o que sempre digo aos atletas é que, para serem campeões, não podem escolher adversário. Primeiro, temos de nos classificar. Vamos passo a passo. Estamos preparados “, avaliou o técnico Fábio Vasconcelos.

Confira a tabela de jogos:

DIA 28/8
21h00 às 01h00
Japão x França
BRASIL x China

DIA 29/8
04h30
Argentina x Marrocos

07h30
Espanha x Tailândia

21h00 às 01h00
China x França
BRASIL x Japão

DIA 30/8
04h30
Tailândia x Marrocos

07h30
Espanha x Argentina

21h00 às 01h00
Japão x China
França x BRASIL

DIA 31/8
04h30
Argentina x Tailândia

07h30
Marrocos x Espanha

DIA 01/9
21h00 às 01h00

Disputa do 7º lugar
Disputa do 5º lugar

DIA 02/9
04h30
Semifinal 1

07h30
Semifinal 2

DIA 03/9
23h30
Disputa do bronze

DIA 04/9
05h30
Disputa do ouro

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