Um homem morreu neste domingo (4) após desenvolver raiva humana em Campina Grande. Ele sofreu mordidas de um sagui no bairro do Serratão, em setembro, mas só buscou atendimento médico em dezembro, quando os sintomas já se agravaram. A doença evoluiu rapidamente, apesar do acompanhamento médico intensivo.
Segundo o diretor de Vigilância e Saúde de Campina Grande, Miguel Dantas, o paciente sofreu mais de sessenta mordidas durante o ataque. “A mordedura foi muito intensa, o animal apresentava comportamento alterado e partiu para o ataque de forma violenta”, afirmou. O sagui, conforme explicou, apresentava sinais compatíveis com raiva. Miguel relatou que, após o ataque, o homem realizou apenas limpeza local e não procurou uma unidade de saúde. “Ele fez o curativo, usou medicação tópica, mas não buscou o serviço de saúde”, disse. Durante cerca de sessenta dias, surgiram sintomas leves, como espasmos e hidrofobia.
No dia 10 de dezembro, o paciente procurou atendimento com sintomas graves. Ele apresentou sinais gastrointestinais intensos e espasmos severos. Após retorno para casa, voltou a procurar assistência médica no dia 13, já com manifestações clássicas da doença. A equipe médica internou o paciente inicialmente em unidade hospitalar e depois em UTI. “A evolução final da raiva é muito rápida e o prognóstico já era bastante difícil”, explicou Miguel. O paciente passou pela UTI do Hospital de Emergência e Trauma e, em seguida, pelo Hospital Universitário.
Miguel destacou que a raiva humana apresenta letalidade elevada. “Infelizmente, os casos de raiva humana quase sempre levam ao óbito, não só no Brasil, mas no mundo inteiro”, afirmou. Ele lembrou que o país registra poucos casos humanos devido às campanhas de vacinação animal. O especialista reforçou que animais silvestres seguem como vetores da doença. “Hoje, o risco maior está no morcego, na raposa e no sagui, que circulam no ambiente silvestre e urbano”, disse. Segundo ele, o sagui provavelmente contraiu o vírus após contato com morcego.
Miguel Dantas também alertou para o hábito comum de alimentar saguis em áreas urbanas. “As pessoas acham bonito alimentar o sagui, mas ele pode transmitir uma doença que mata”, ressaltou. Ele citou a presença desses animais em escolas, bares, universidades e praças. Sobre a conduta correta, Miguel foi direto. “Procurar atendimento imediatamente teria feito toda a diferença”, afirmou. Ele explicou que a profilaxia começa com lavagem local, seguida de soro, imunoglobulina e esquema vacinal completo. O Miguel Dantas confirmou que as equipes seguiram todos os protocolos após a internação. “Foi feito tudo o que o protocolo nacional orienta, com acompanhamento do município, do estado e do governo federal”, disse. Mesmo assim, a doença avançou.



