A última semana de campanha eleitoral na Paraíba começa com um fato estranho. Já existem 14 pedidos de registros para realização e divulgação de pesquisas de intenção de voto na Justiça Eleitoral. Como o prazo para pedidos de registros se encerra ao final deste dia 28 de setembro, ainda é possível que apareçam novos institutos na lista.
Quais os institutos que buscam se credenciar para a divulgação de pesquisas às vésperas das eleições na Paraíba?
Constam da relação os nomes de três institutos nacionais com certa credibilidade, que são Quaest, Real Time Big Data e o Atlas/Intel. O Veritá também registrou plano de pesquisas, mas é preciso que se diga que esse instituto já acumula diversos ações, suspensões e condenações na Justiça Eleitoral em pelo menos 14 estados brasileiros nas eleições de 2026. Existem também alguns institutos que divulgam pesquisas regularmente no atual pleito – o Anova, Seta, Data Ranking, entre outros-, mas a maior quantidade são de empresas totalmente desconhecidas. Com um agravante: a maioria informa que o próprio instituto está pagando a pesquisa.
Trata-se de uma grave burla à lei. Vê-se que esses desconhecidos institutos buscam omitir o nome do interessado, que, com certeza, não são órgãos de comunicação. O mais provável é que os maiores interessados sejam mesmo partidos, coligações ou candidatos, com o intuito de fabricar alguma vantagem ou desfazer alguma tendência. Em suma, o objetivo parece ser o de tentar confundir a cabeça do eleitor na hora de definição final do voto.
Essa situação registrada na Paraíba merece reflexão e ação. Há urgente necessidade de regulamentação da realização e divulgação de pesquisas eleitorais. Não é possível permitir esse vasto território de fraude em nome de qualquer liberdade.
Quanto à ação, talvez seja o momento propício para o próprio Ministério Público Eleitoral se debruçar sobre o problema posto,
com uma força tarefa para esmiuçar irregularidades e oferecer à Justiça a oportunidade de barrar as muitas pesquisas fajutas. Em seguida, poderia pedir a responsabilização judicial daqueles que estão se dispondo a burlar as consultas de intenção de voto.
Afinal, o eleitor merece alguma proteção nesta reta final de campanha. Os candidatos abriram o saco de promessas e estão atacando com inesgotável campanha de falsas ilusões, como se não bastasse a velha compra de votos. E, agora, mais essa do indisfarçável pântano enganoso das pesquisas.



