Justiça suspende CPI da Cagepa na Câmara de João Pessoa e aponta falta de competência do Legislativo municipal

A decisão foi proferida pelo juiz Antônio Carneiro de Paiva Júnior, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, ao analisar um Mandado de Segurança apresentado pelos vereadores Zezinho Botafogo (PSB) e Fábio Carneiro (Solidariedade).

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Imagem: Reprodução

A Justiça da Paraíba determinou, nesta quarta-feira (10), a suspensão imediata da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pela Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) para investigar supostos despejos de esgoto e efluentes no litoral da capital paraibana.

A decisão foi proferida pelo juiz Antônio Carneiro de Paiva Júnior, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, ao analisar um Mandado de Segurança apresentado pelos vereadores Zezinho Botafogo (PSB) e Fábio Carneiro (Solidariedade).

Ao conceder a liminar, o magistrado entendeu que a Câmara Municipal não possui competência legal para fiscalizar aspectos relacionados à gestão administrativa, aos contratos e aos planos internos da Cagepa, empresa vinculada ao Governo da Paraíba.

Segundo a decisão judicial, a fiscalização contábil, financeira e operacional da companhia estadual é atribuição da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB), não cabendo ao Legislativo municipal conduzir esse tipo de investigação.

Outro ponto destacado pelo juiz foi a suposta ausência de um fato determinado, requisito considerado essencial para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Na avaliação do magistrado, o requerimento aprovado pelos vereadores apresenta referências genéricas ao lançamento de esgoto no litoral e amplia o escopo da investigação para áreas da administração da companhia sem apontar fatos específicos, contratos, datas ou condutas concretas a serem apuradas.

Com a decisão, ficam suspensos todos os atos relacionados à CPI, incluindo a realização de reuniões, pedidos de documentos, convocações e intimações direcionadas à Cagepa e aos seus dirigentes, até nova deliberação judicial.

A comissão havia sido criada pela Câmara Municipal com o objetivo de investigar possíveis impactos ambientais decorrentes do lançamento de esgoto no litoral de João Pessoa. No entanto, a Justiça entendeu, em caráter liminar, que a investigação extrapola os limites de atuação do Poder Legislativo municipal.

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