O Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) identificou bactérias em alimentos de uma pizzaria de Pombal, alvo de investigação após um surto de infecção alimentar que deixou mais de 90 pessoas doentes e provocou a morte de uma mulher de 40 anos. O resultado foi divulgado na quinta-feira (26).
Ao todo, foram analisados sete produtos, incluindo pizzas, molhos e carnes. Seis deles apresentaram contaminação por Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Nenhuma das amostras apresentou Salmonella.
De acordo com o laudo, a contaminação pode ter ocorrido devido à manipulação inadequada dos alimentos, possivelmente por alguém com ferimentos nas mãos, condição que favorece a proliferação da Staphylococcus aureus.
O surto, registrado em meados de março, provocou sintomas como náuseas, vômitos e dores abdominais em dezenas de clientes. A servidora municipal Rayssa Maritein Bezerra e Silva morreu em decorrência do episódio.
Os laudos do Lacen-PB foram encaminhados à Vigilância Sanitária e ao Instituto de Polícia Científica, que seguem investigando a origem da contaminação e as responsabilidades do estabelecimento.
Dono da pizzaria questiona laudos
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o proprietário da pizzaria e sua defesa criticaram a condução das investigações e contestaram alguns resultados dos laudos, classificando certas conclusões como “prematuras” e “irresponsáveis”.
Segundo a defesa, um dos exames laboratoriais apresenta inconsistências e ainda não foi oficialmente disponibilizado para o estabelecimento. Eles afirmam que tomaram conhecimento do laudo apenas de maneira extraoficial, quando o documento foi entregue à delegacia.
O posicionamento também destaca a ausência de informações detalhadas sobre o local de coleta das amostras e as condições de armazenamento, apontando que essas lacunas podem comprometer a validade dos resultados.
“Outra questão que chama bastante atenção é que a reportagem cita que é uma bactéria comumente encontrada em ferimentos, porém nossas pizzas são produzidas com a utilização de toucas e luvas, para serem manipuladas pela mão humana. Além disso, ao final da produção, a pizza é assada em um forno a temperaturas de 320 graus Celsius. As bactérias comuns de ferimentos morrem quase instantaneamente”, argumenta a defesa.
Também foram levantados questionamentos sobre o armazenamento de uma das amostras analisadas. A defesa afirmou que o armazenamento inadequado de uma amostra de pizza, mantida em temperatura ambiente desde a noite anterior, pode ter comprometido os resultados dos exames.
O estabelecimento segue interditado por 90 dias, enquanto a Polícia Civil continua investigando o caso.



