Morre recém-nascido encontrado entre paredes na Paraíba

O bebê estava preso entre duas paredes de duas casas e precisou ser retirado por equipes de resgate no município de Alhandra

Yasmim Pessoa
Yasmim Pessoa
Jornalista formada há quase 10 anos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com trajetória em jornalismo político, hard news e mídias digitais, integra atualmente a equipe do portal TH+ João Pessoa. Curiosa e atenta aos movimentos do cotidiano, encontra no universo latino uma de suas principais inspirações. Acredita na rebeldia da comunicação como força para contar histórias, informar com responsabilidade e dar visibilidade a diferentes vozes.
Foto: Reprodução

O Hospital do Servidor General Edson Ramalho (HSGER) confirmou na manhã desta quarta-feira (20) a morte do recém-nascido encontrado entre duas paredes no distrito de Cupissura, localizado entre os municípios de Caaporã e Alhandra, na Região Metropolitana de João Pessoa, nessa terça-feira (19).

Segundo as primeiras informações, o bebê estava preso entre duas paredes de duas casas e precisou ser retirado por equipes de resgate. Para alcançar a criança, os socorristas tiveram que quebrar parte do muro.

Inicialmente, o recém-nascido foi atendido por equipes do Samu e encaminhado para uma unidade de saúde em Alhandra. Em seguida, foi transferido pelo helicóptero Acauã para o Hospital de Trauma na capital. Depois, a criança foi levada ao Hospital Edson Ramalho, referência no atendimento materno-infantil. Apesar dos esforços da equipe médica, o bebê não resistiu e morreu.

De acordo com o diretor-geral do hospital, Dr. Aluízio Lopes, o recém-nascido sofreu nove paradas cardiorrespiratórias antes de ter a morte confirmada. A criança deu entrada na unidade pesando cerca de 1,550 kg, medindo 35 centímetros e, conforme a avaliação médica, tinha aproximadamente 30 semanas de gestação.

>> Veja vídeo do momento em que recém-nascido foi resgatado

Uma adolescente de 17 anos foi identificada como a mãe do recém-nascido. Ela prestou depoimento ainda na terça-feira (19), na Delegacia de Alhandra. A tia da jovem, com quem ela morava, também foi ouvida pelos investigadores.

Informações iniciais da investigação apontam que a gravidez teria sido mantida em sigilo até o momento do parto. Até a última atualização do caso, o pai da criança não havia sido identificado oficialmente.

Durante as diligências da Polícia Civil, moradores da região relataram à polícia que não perceberam sinais de gestação na adolescente. A partir desses relatos, equipes policiais realizaram levantamentos na área e solicitaram exames em mulheres da localidade. Foi nesse contexto que a jovem admitiu ter dado à luz.

Também foram encontrados vestígios de sangue no imóvel onde a adolescente residia. Conforme apurado, havia manchas no quarto e no banheiro da casa, além de marcas que seguiriam até o ponto onde o recém-nascido foi localizado entre os muros.

Após prestar depoimento, a adolescente foi encaminhada para atendimento médico. O caso também deverá ser acompanhado pela Justiça e pelos órgãos de proteção competentes, em razão da menoridade da jovem e do contexto de vulnerabilidade social identificado pelas autoridades.

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