Academia na infância: exercício físico aliado no combate à obesidade infantil

De acordo com profissionais da área, crianças a partir dos 8 anos já podem praticar musculação

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Imagem: TH+ SBT Tambaú

Com a volta às aulas sendo organizada para a próxima semana, muitas famílias começam a retomar a rotina das crianças após o período de férias. Junto com esse retorno, um tema segue preocupando pais, educadores e profissionais de saúde: a obesidade infantil, considerada hoje uma questão de saúde pública.

Se já está claro que o tratamento vai além da alimentação e passa, necessariamente, pela prática regular de exercícios físicos, surge uma dúvida comum: criança pode frequentar academia? Existe idade certa? É seguro?

Para responder a essas perguntas, a reportagem acompanhou o exemplo de uma família que transformou o exercício físico em um hábito saudável — sempre com orientação e responsabilidade.

Treino como parte da rotina familiar

Há cerca de oito meses, João Ricardo, de 13 anos, começou a praticar musculação. O compromisso é levado a sério: três vezes por semana, com sessões de aproximadamente uma hora. Antes disso, ele já havia experimentado outras modalidades esportivas, como karatê, capoeira e basquete, até encontrar na musculação uma atividade que unisse prazer e bem-estar.

“Virou um lazer pra mim. Aos poucos, fui percebendo que estava evoluindo, me sentindo melhor”, conta o adolescente, que diz notar mudanças graduais no corpo e na disposição ao longo dos meses.

O diferencial está no acompanhamento. Os pais de João Ricardo são estudantes de Educação Física e fazem questão de supervisionar cada exercício de perto. Mais do que uma obrigação, o treino se tornou um momento compartilhado em família.

“Nem sempre ele está com vontade, como todo adolescente. Mas como isso virou um hábito nosso, ele acaba vindo, treina direitinho e sai animado”, explica a mãe.

Benefícios que vão além do físico

Segundo os pais, os ganhos não se limitam à força ou à resistência muscular. Eles percebem avanços claros na autoestima, na disposição diária e até na postura do filho.

“Quando ele volta do treino, a gente vê que ele se observa mais no espelho, se sente melhor consigo mesmo. Além disso, tem mais energia para as atividades do dia a dia e para as aulas de educação física na escola”, relata o pai.

Como a prática esportiva escolar costuma ser restrita a uma ou duas vezes por semana, a musculação surge como um complemento importante para o desenvolvimento físico, ajudando também na coordenação motora e na saúde das articulações.

Qual é a idade ideal para musculação?

De acordo com profissionais da área, crianças a partir dos 8 anos já podem praticar musculação, desde que o treino seja adaptado à idade, com cargas leves, foco na execução correta e acompanhamento constante.

“O exercício físico nessa fase contribui para o crescimento saudável, melhora o sono, a autoestima e a qualidade de vida como um todo”, explica um educador físico ouvido na reportagem.

No entanto, a orientação profissional é indispensável. Crianças e adolescentes precisam de um olhar atento para evitar lesões, uso inadequado de carga e execução incorreta dos movimentos.

Treinos curtos e bem orientados

A recomendação é que o treino seja curto e eficiente: cerca de 30 minutos, três vezes por semana, já são suficientes para gerar benefícios. Durante esse tempo, os profissionais observam postura, respiração, ritmo e limites individuais.

“O mais importante não é o peso, mas a forma correta de executar o exercício. Tudo é feito com cuidado”, reforça o especialista.

Prevenção começa cedo

O exemplo dessa família mostra que a academia pode, sim, ser uma aliada no combate à obesidade infantil quando o exercício é apresentado de forma positiva, segura e integrada à rotina familiar.

Enquanto algumas famílias enfrentam dificuldades sérias relacionadas ao excesso de peso na infância, outras mostram que incentivar hábitos saudáveis desde cedo pode fazer toda a diferença para a saúde física, emocional e social das crianças.

A mensagem final é clara: atividade física não deve ser vista como castigo, mas como investimento em qualidade de vida — hoje e no futuro.

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