Com a chegada do verão, aumentam os registros de candidíase, uma infecção ginecológica comum em períodos de calor intenso e maior umidade. O tema foi discutido no programa Com Você, da TH+ SBT Tambaú, apresentado por Fernandinha Albuquerque, que contou com a participação da ginecologista Dra. Wanuzia Miranda, especialista em patologias genitais e colposcopia.
Segundo a médica, o clima quente favorece a proliferação do fungo causador da candidíase, já que ele encontra condições ideais em ambientes quentes e úmidos. A infecção pode provocar coceira intensa, ardor, vermelhidão, fissuras na pele e, em alguns casos, corrimento esbranquiçado, com aspecto semelhante a nata de leite ou ricota.
Sintomas podem variar
Durante a entrevista, a especialista explicou que a candidíase nem sempre se manifesta da mesma forma. Embora o corrimento branco e grumoso seja característico, há situações em que a infecção ocorre sem secreção aparente, apresentando apenas irritação e coceira, inclusive na parte externa da região íntima.
A médica ressaltou ainda a importância de cuidar da vulva, área frequentemente esquecida nos cuidados diários. Assim como outras partes do corpo, a região externa também precisa de higiene adequada e hidratação, evitando produtos agressivos ou perfumados.
Nem toda coceira é candidíase
A Dra. Wanuzia alertou que nem toda coceira genital indica candidíase. Reações alérgicas a sabonetes, perfumes, medicamentos ou produtos íntimos também podem causar sintomas semelhantes. O uso de produtos perfumados na região genital, segundo a especialista, pode alterar o equilíbrio natural da flora vaginal e desencadear inflamações.
Diabetes, estresse e hormônios aumentam o risco
A médica destacou que pessoas com diabetes, especialmente quando a glicemia está descontrolada, apresentam maior risco de candidíase de repetição. Isso ocorre porque o excesso de açúcar no organismo favorece o crescimento do fungo e reduz as defesas do corpo.
Além disso, fatores como estresse emocional e alterações hormonais também podem contribuir para o surgimento da infecção. O estresse, por exemplo, estimula a liberação de cortisol, hormônio que diminui a imunidade, facilitando a proliferação da candidíase. Mudanças hormonais, como as que ocorrem na menopausa ou durante o uso de hormônios, também podem alterar o ambiente vaginal.
Mau cheiro e infecções associadas
Embora a candidíase, isoladamente, não costume provocar odor forte, a especialista explicou que ela pode ocorrer associada a outros microrganismos. Nesses casos, há um desequilíbrio da flora vaginal, conhecido como disbiose, que pode causar mau cheiro, além de corrimento persistente e inflamação.
Nessas situações, o tratamento deve ser direcionado para todas as infecções identificadas, e não apenas para a candidíase, reforçando a importância do diagnóstico médico adequado.
Tratamento e prevenção
A ginecologista enfatizou que o tratamento nem sempre é curto e pode exigir uso prolongado de medicamentos, além de mudanças de hábitos, como:
- Evitar roupas muito apertadas
- Priorizar tecidos que permitam ventilação
- Reduzir o consumo excessivo de carboidratos e açúcares
- Evitar duchas vaginais e produtos perfumados
A recomendação final é que, diante de sintomas persistentes ou recorrentes, a mulher procure sua ginecologista para avaliação correta e tratamento individualizado, especialmente durante o verão, quando os casos tendem a se intensificar.



