A obesidade infantil deixou de ser um problema pontual e passou a ser tratada como uma grave questão de saúde pública no Brasil. Dados do IBGE e do Ministério da Saúde, coletados desde 2023, revelam um cenário preocupante: uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos está acima do peso. Já entre crianças com até 5 anos, 14,2% apresentam excesso de peso, percentual que supera a média global.
Entre adolescentes de 10 a 19 anos, o índice também chama atenção. A taxa de obesidade nessa faixa etária triplicou entre 2000 e 2022, saltando de 5% para 15%. As projeções indicam que, se o ritmo continuar, o Brasil pode se tornar o quinto país com mais crianças obesas até 2030.
O tema foi debatido no programa Com Você, da TH+ SBT Tambaú, com a participação da endocrinologista pediátrica Dra. Natália Montecino, que destacou que a obesidade infantil vai muito além da estética e está diretamente ligada ao risco de doenças crônicas ao longo da vida.
Genética influencia, mas ambiente é decisivo
Segundo a especialista, a obesidade infantil é uma condição multifatorial. Embora exista um componente genético — filhos de pais obesos têm maior risco —, mais de 90% dos casos estão relacionados a fatores ambientais.
“Alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo e excesso de tempo em telas são hoje os principais gatilhos”, explicou. Ela ressaltou que hábitos como consumir fast food com frequência, reduzir o consumo de alimentos naturais e a diminuição das brincadeiras ativas contribuem diretamente para o ganho de peso.
Excesso não é exceção, é rotina
A médica reforçou que o problema não está em consumir doces ou alimentos mais calóricos ocasionalmente, mas em transformá-los em parte da rotina diária. “Fast food, chocolates e salgadinhos devem ser exceção, não regra”, alertou.
Outro ponto crítico é o ambiente familiar. Crianças tendem a repetir os hábitos que veem em casa. “Se não há frutas, legumes e refeições equilibradas na mesa, a aceitação desses alimentos se torna ainda mais difícil”, destacou.
Quando o sobrepeso deixa de ser ‘fase’
Um dos mitos mais comuns, segundo a endocrinologista, é a ideia de que a criança “vai esticar e emagrecer” na adolescência. “Isso não é verdade. Durante o estirão puberal, o adolescente ganha cerca de 40% do peso do adulto, o que pode agravar ainda mais a obesidade”, explicou.
Para Dra. Natália, todo sobrepeso já é um sinal de alerta e deve ser acompanhado desde cedo, evitando a progressão para obesidade.
Importância do acompanhamento profissional
O diagnóstico da obesidade infantil é feito com base em curvas de crescimento, que avaliam peso e altura de acordo com a idade. Quando há alteração, o ideal é iniciar um tratamento multiprofissional, envolvendo pediatra, endocrinologista, nutricionista e, em alguns casos, psicólogo.
“A ansiedade e a compulsão alimentar aumentaram muito após a pandemia. Se não tratarmos o emocional, dificilmente conseguiremos resultados duradouros”, afirmou.
A médica também destacou que dietas restritivas não são recomendadas para crianças. O foco deve ser uma alimentação equilibrada, sem proibições extremas, evitando gerar culpa ou traumas emocionais.
Prevenção começa em casa
Segundo a especialista, pequenas mudanças fazem grande diferença: reduzir a compra de ultraprocessados, estimular atividades físicas, limitar o tempo de tela e envolver a criança no processo de cuidado com a própria saúde.
“A criança não vai ao supermercado sozinha. O controle começa com os adultos”, reforçou.
O alerta é claro: a obesidade infantil não deve ser negligenciada. Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são as chances de evitar complicações futuras como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.
A endocrinologista Dra. Natália Montecino destacou que informações e orientação profissional são fundamentais para enfrentar o avanço da obesidade entre crianças e adolescentes, reforçando a importância de ações preventivas desde a infância.



