Obesidade infantil avança e especialistas alertam para riscos à saúde pública

O tema foi debatido no programa Com Você, da TH+ SBT Tambaú, com a participação da endocrinologista pediátrica Dra. Natália Montecino

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A obesidade infantil deixou de ser um problema pontual e passou a ser tratada como uma grave questão de saúde pública no Brasil. Dados do IBGE e do Ministério da Saúde, coletados desde 2023, revelam um cenário preocupante: uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos está acima do peso. Já entre crianças com até 5 anos, 14,2% apresentam excesso de peso, percentual que supera a média global.

Entre adolescentes de 10 a 19 anos, o índice também chama atenção. A taxa de obesidade nessa faixa etária triplicou entre 2000 e 2022, saltando de 5% para 15%. As projeções indicam que, se o ritmo continuar, o Brasil pode se tornar o quinto país com mais crianças obesas até 2030.

O tema foi debatido no programa Com Você, da TH+ SBT Tambaú, com a participação da endocrinologista pediátrica Dra. Natália Montecino, que destacou que a obesidade infantil vai muito além da estética e está diretamente ligada ao risco de doenças crônicas ao longo da vida.

Genética influencia, mas ambiente é decisivo

Segundo a especialista, a obesidade infantil é uma condição multifatorial. Embora exista um componente genético — filhos de pais obesos têm maior risco —, mais de 90% dos casos estão relacionados a fatores ambientais.

“Alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo e excesso de tempo em telas são hoje os principais gatilhos”, explicou. Ela ressaltou que hábitos como consumir fast food com frequência, reduzir o consumo de alimentos naturais e a diminuição das brincadeiras ativas contribuem diretamente para o ganho de peso.

Excesso não é exceção, é rotina

A médica reforçou que o problema não está em consumir doces ou alimentos mais calóricos ocasionalmente, mas em transformá-los em parte da rotina diária. “Fast food, chocolates e salgadinhos devem ser exceção, não regra”, alertou.

Outro ponto crítico é o ambiente familiar. Crianças tendem a repetir os hábitos que veem em casa. “Se não há frutas, legumes e refeições equilibradas na mesa, a aceitação desses alimentos se torna ainda mais difícil”, destacou.

Quando o sobrepeso deixa de ser ‘fase’

Um dos mitos mais comuns, segundo a endocrinologista, é a ideia de que a criança “vai esticar e emagrecer” na adolescência. “Isso não é verdade. Durante o estirão puberal, o adolescente ganha cerca de 40% do peso do adulto, o que pode agravar ainda mais a obesidade”, explicou.

Para Dra. Natália, todo sobrepeso já é um sinal de alerta e deve ser acompanhado desde cedo, evitando a progressão para obesidade.

Importância do acompanhamento profissional

O diagnóstico da obesidade infantil é feito com base em curvas de crescimento, que avaliam peso e altura de acordo com a idade. Quando há alteração, o ideal é iniciar um tratamento multiprofissional, envolvendo pediatra, endocrinologista, nutricionista e, em alguns casos, psicólogo.

“A ansiedade e a compulsão alimentar aumentaram muito após a pandemia. Se não tratarmos o emocional, dificilmente conseguiremos resultados duradouros”, afirmou.

A médica também destacou que dietas restritivas não são recomendadas para crianças. O foco deve ser uma alimentação equilibrada, sem proibições extremas, evitando gerar culpa ou traumas emocionais.

Prevenção começa em casa

Segundo a especialista, pequenas mudanças fazem grande diferença: reduzir a compra de ultraprocessados, estimular atividades físicas, limitar o tempo de tela e envolver a criança no processo de cuidado com a própria saúde.

“A criança não vai ao supermercado sozinha. O controle começa com os adultos”, reforçou.

O alerta é claro: a obesidade infantil não deve ser negligenciada. Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são as chances de evitar complicações futuras como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares.

A endocrinologista Dra. Natália Montecino destacou que informações e orientação profissional são fundamentais para enfrentar o avanço da obesidade entre crianças e adolescentes, reforçando a importância de ações preventivas desde a infância.

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