A investigação sobre a morte da adolescente Marta Isabele, de 16 anos, ganhou novos e graves desdobramentos nesta semana em Porto Velho, Rondônia. O avô da vítima foi preso pela Polícia Civil após a revelação de que a jovem, além de ser mantida em cárcere privado, teria sido vítima de abusos sexuais reiterados praticados por ele e pelo próprio pai.
O avô da adolescente, que não teve o nome divulgado, foi detido de forma inesperada. Ele compareceu voluntariamente a uma unidade policial para registrar uma ocorrência, alegando estar sofrendo ameaças e constrangimentos após ter sua imagem vinculada ao caso nas redes sociais.
Ao consultar o sistema, os agentes identificaram um mandado de prisão em aberto contra ele. Segundo as investigações, o homem tinha conhecimento dos maus-tratos sofridos pela neta e é suspeito de participação direta nos abusos.
Marta Isabele, natural da Paraíba, havia se mudado para Rondônia para morar com o pai. Há algumas semanas, o corpo da adolescente foi encontrado em condições consideradas degradantes em uma residência no setor chacareiro da capital rondoniense. A jovem apresentava sinais de desnutrição severa, ferimentos expostos e estava com pés, mãos e boca amordaçados.
Novos depoimentos de uma testemunha-chave indicam que a motivação para o cárcere privado seria o silenciamento da vítima. De acordo com o relato, Marta teria confidenciado que sofria estupros frequentes praticados pelo pai e pelo avô. Ao tentar denunciar os crimes, a adolescente teria sido trancada no quarto e submetida a sessões de espancamento.
A madrasta da jovem, que já estava presa, é apontada como conivente com a situação. A testemunha afirmou que, ao saber dos abusos, a mulher teria agredido Marta para impedir que a história viesse a público.
Na residência onde o crime ocorreu, a perícia encontrou indícios de destruição de provas. A cama onde a adolescente era mantida amarrada e suas vestimentas foram queimadas logo após o óbito. O proprietário do imóvel relatou à polícia que a madrasta hesitou em acionar as autoridades no dia da morte, tentando ocultar a gravidade do ocorrido.
Atualmente, os três principais suspeitos encontram-se sob custódia do sistema prisional de Rondônia:
- O pai e o avô foram encaminhados ao presídio provisório Urso Branco.
- A madrasta permanece detida no Centro de Ressocialização Feminino Sueli Maria Mendonça.
As autoridades seguem com as oitivas para concluir o inquérito, que abrange crimes de homicídio qualificado, estupro de vulnerável, cárcere privado e tortura.



