Fraude em concurso da PF: MPF denuncia grupo que atuava na Paraíba e outros estados

Segundo o MPF, o grupo criminoso atuava de forma articulada em três estados do Nordeste: Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O Ministério Público Federal na Paraíba denunciou 10 pessoas suspeitas de integrar um esquema conhecido como “máfia dos concursos”, acusado de fraudar um certame da Polícia Federal realizado em 2025. A denúncia foi divulgada nesta terça-feira (28).

Segundo o MPF, o grupo criminoso atuava de forma articulada em três estados do Nordeste: Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

Esquema envolvia cargos de alto nível

De acordo com a investigação, a fraude tinha como foco o cargo de delegado da Polícia Federal, com o objetivo de beneficiar candidatos mediante pagamento. O MPF aponta que há provas de movimentações financeiras atípicas e trocas de mensagens que indicam a participação dos denunciados.

Os valores cobrados seguiam uma lógica de mercado, baseada no salário do cargo pretendido, podendo ultrapassar R$ 280 mil por candidato.

Organização tinha estrutura definida

Ainda conforme a denúncia, o grupo possuía uma estrutura hierárquica, com divisão de funções entre:

  • gestores do esquema
  • intermediários
  • responsáveis pela resolução das provas
  • executores da extração de imagens
  • beneficiários das fraudes

Os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, fraude em certame público, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e embaraço à investigação.

Colaboração premiada pode ser revogada

Dois dos denunciados haviam firmado acordo de colaboração premiada, mas o MPF solicitou a revogação do benefício, alegando que eles descumpriram os termos, omitiram informações relevantes e continuaram praticando atividades ilícitas.

Esquema era sediado no Sertão da Paraíba

As investigações apontam que a organização tinha base em Patos, no Sertão paraibano, e já vinha sendo monitorada há anos. Em operações anteriores conduzidas pela Polícia Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e houve a prisão do líder do grupo, que morreu posteriormente.

Fraudes usavam tecnologia avançada

O esquema utilizava tecnologias sofisticadas para burlar a segurança dos concursos, incluindo:

  • uso de dublês
  • pontos eletrônicos implantados cirurgicamente
  • comunicação em tempo real durante as provas

Além de dinheiro, os pagamentos podiam ser feitos com ouro, veículos e até procedimentos odontológicos, conforme apurado.

Diversos concursos foram afetados

Segundo a Polícia Federal, as fraudes atingiram concursos de diversas instituições, como:

  • Polícia Federal
  • Caixa Econômica Federal
  • Universidade Federal da Paraíba
  • Banco do Brasil
  • além do Concurso Nacional Unificado (CNU)

As investigações indicam que o esquema pode ter atuado por mais de uma década, comercializando aprovações e corrompendo processos seletivos em diferentes níveis.

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