PF afasta secretário de João Pessoa e apreende R$ 220 mil em operação sobre influência de facção nas eleições

Ao todo, são cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O secretário do Procon de João Pessoa, Júnior Pires, foi afastado cautelarmente do cargo por 90 dias nesta terça-feira (29), durante a Operação Zona de Influência, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de negociação de apoio político-eleitoral entre agentes políticos e integrantes de uma organização criminosa com atuação em comunidades da Paraíba.

A medida foi determinada pela Justiça Eleitoral. Ao todo, são cumpridos sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Durante as diligências, a Polícia Federal apreendeu R$ 220 mil em espécie.

O afastamento é uma medida cautelar e não representa condenação. As investigações ainda buscam individualizar as condutas atribuídas a cada envolvido.

A Polícia Federal não identificou Júnior Pires no comunicado oficial divulgado nas primeiras horas da manhã, mas o nome do secretário foi confirmado posteriormente por veículos locais com fontes da corporação. O deputado estadual Caio Roberto (MDB) também é apontado como um dos alvos da operação.

Investigação apura negociação de acesso a comunidades

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura se integrantes de uma organização criminosa utilizaram o controle territorial exercido sobre determinadas comunidades para negociar apoio político e autorizar a entrada de candidatos nesses locais durante atos de campanha.

A suspeita é de que o acesso político a essas áreas pudesse ser condicionado a contrapartidas.

Entre os fatos sob investigação estão pagamentos a uma liderança do grupo criminoso, custeio de despesas de um centro comunitário e tratativas envolvendo cargos e empregos na Administração Pública, além de outros benefícios.

Essas informações fazem parte da linha de investigação apresentada pela Polícia Federal e ainda serão submetidas à apuração e eventual análise judicial.

R$ 220 mil foram apreendidos

A Polícia Federal informou que R$ 220 mil em espécie foram encontrados durante o cumprimento das medidas desta terça-feira.

Até a última atualização, a corporação não havia detalhado publicamente em qual endereço o dinheiro foi localizado, a quem os valores pertenciam ou se já existe comprovação de vínculo entre a quantia e os supostos crimes eleitorais investigados.

O material apreendido deverá ser analisado no decorrer do inquérito.

Quais crimes são investigados?

Segundo a PF, a Operação Zona de Influência apura, em tese:

  • crimes eleitorais;
  • organização criminosa;
  • lavagem de dinheiro;
  • domínio social estruturado;
  • favorecimento ao domínio social estruturado.

As buscas têm como objetivo reunir novos elementos de prova e esclarecer a atuação individual dos investigados.

Operação ocorre a cinco dias da eleição

A ação ocorre na semana do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo, 4 de outubro.

O foco da investigação é justamente a possível utilização da influência territorial de grupos criminosos para interferir na atividade político-eleitoral em determinadas comunidades.

A Polícia Federal não divulgou, no comunicado oficial, quais candidatos teriam sido beneficiados, quais comunidades estão incluídas na investigação nem se os R$ 220 mil apreendidos possuem relação direta já comprovada com alguma campanha.

Afastamento é de 90 dias

Informações iniciais chegaram a mencionar um afastamento de 190 dias, mas o comunicado oficial da Polícia Federal estabelece que a decisão judicial determina 90 dias de afastamento cautelar do secretário municipal.

Júnior Pires permanece afastado enquanto a investigação prossegue, nos limites estabelecidos pela decisão da Justiça Eleitoral.

Em nota, a Prefeitura de João Pessoa informou que ainda não foi oficialmente notificada acerca da decisão judicial que determinou o afastamento. O comunicado diz ainda que o município coloca-se à inteira disposição das autoridades para colaborar com as investigações e reitera seu compromisso intransigente com a democracia e o respeito às instituições. O texto finaliza dizendo que a Prefeitura reafirma, ainda, sua confiança na Justiça e no devido processo legal.

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