MPPB oferece segunda denúncia contra delegado e agentes por tráfico de drogas na PB

Foram denunciados ainda José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como “Júnior Lira”, “JL” ou “Professor”; João Wicttor Alves de Lima, o “Vitor”; Brendo Roberth Fernandes Sobral, conhecido como “Breno”; e Paulo Ricardo Barbosa de Souza, o “Galinha”.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Foto: Reprodução

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ofereceu, nesta segunda-feira (3), uma segunda denúncia contra o delegado Braz Morroni e os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, presos durante a Operação Perfídus, que investiga um suposto esquema envolvendo desvio de drogas, tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico na Paraíba.

A nova denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-PB) e também inclui outros quatro investigados apontados pelo Ministério Público como integrantes do suposto esquema.

Foram denunciados ainda José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como “Júnior Lira”, “JL” ou “Professor”; João Wicttor Alves de Lima, o “Vitor”; Brendo Roberth Fernandes Sobral, conhecido como “Breno”; e Paulo Ricardo Barbosa de Souza, o “Galinha”.

Segundo o MPPB, além das condenações pelos crimes apontados na nova denúncia, foi requerida a perda definitiva dos cargos públicos ocupados pelos três policiais. O órgão também solicitou o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais, sob o argumento de que as condutas investigadas teriam causado prejuízos à moralidade administrativa, à segurança pública e à ordem social.

O Ministério Público pediu ainda o confisco de veículos, ativos financeiros e outros bens apreendidos ou bloqueados durante a investigação. A medida, segundo o órgão, busca atingir o patrimônio que teria sido obtido de forma ilícita pela organização investigada.

Primeira denúncia contra policiais

Esta é a segunda denúncia apresentada pelo MPPB contra Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge no âmbito das investigações.

Na primeira acusação, os três foram denunciados por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual. Segundo o Ministério Público, essa denúncia trata especificamente de fatos relacionados ao suposto desvio de drogas durante uma ação policial realizada em outubro de 2025.

De acordo com a acusação, os policiais teriam recebido informações sobre locais utilizados para armazenamento de drogas e realizado incursões nesses imóveis. O Ministério Público afirma que parte dos entorpecentes teria sido desviada e que, posteriormente, apenas uma quantidade menor teria sido registrada oficialmente como apreendida.

Para fundamentar as acusações, o MPPB afirma ter reunido elementos obtidos por meio de análise de celulares, dados de geolocalização de viaturas, quebra de sigilos telemático, bancário e fiscal, monitoramento dos investigados, documentos e depoimentos.

Na primeira denúncia, o órgão também havia solicitado a perda dos cargos públicos, a conversão das prisões temporárias em preventivas e o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.

Operação Perfídus

A Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.

Entre os policiais presos está Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”. Conforme as investigações, ele seria um dos operadores centrais do suposto esquema e atuaria na ligação entre policiais e traficantes.

O agente Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, também é apontado pela investigação como participante de supostas subtrações de drogas. Segundo a Polícia Civil, ele teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido entorpecentes em sua residência.

Além deles, foram presos João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza, José Alexandrino de Lira Júnior, Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”.

Situação dos investigados

Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa. Em junho, a Polícia Civil concluiu um dos inquéritos da investigação e indiciou os três.

Vanessa Dantas Fernandes, que também é investigada por suposta participação na movimentação financeira do esquema, recebeu da Justiça prisão domiciliar, acompanhada de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros investigados.

A Rede Paraíba informou que procurou as defesas de Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem. As defesas dos demais denunciados também não foram localizadas.

As acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

Quem é Braz Morroni

O delegado Braz Morroni atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Com mais de 20 anos de carreira na Polícia Civil, ele também já trabalhou em outras unidades, incluindo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

Segundo as investigações, a organização criminosa teria a participação de agentes públicos que utilizariam a estrutura estatal para favorecer atividades criminosas.

O nome Perfídus, escolhido para a operação, faz referência às palavras “traição” ou “deslealdade”, em alusão à conduta atribuída aos investigados pelos órgãos responsáveis pela apuração.

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