Prisão do delegado Braz Morroni é prorrogada pela Justiça da Paraíba

Juíza considerou complexidade do caso e necessidade de análise de materiais apreendidos para prorrogar a prisão dos investigados

Yasmim Pessoa
Yasmim Pessoa
Jornalista formada há quase 10 anos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com trajetória em jornalismo político, hard news e mídias digitais, integra atualmente a equipe do portal TH+ João Pessoa. Curiosa e atenta aos movimentos do cotidiano, encontra no universo latino uma de suas principais inspirações. Acredita na rebeldia da comunicação como força para contar histórias, informar com responsabilidade e dar visibilidade a diferentes vozes.

A Justiça da Paraíba decidiu manter por mais 30 dias a prisão temporária do delegado Braz Morroni e dos policiais civis Eduardo Jorge e Everton Silva, que são investigados por suspeita de participação em uma organização criminosa. A medida foi autorizada pela juíza Conceição Marciscano, da 2ª Vara Regional de Garantias, a partir de solicitação da Polícia Civil e do Ministério Público da Paraíba (MPPB).

Os investigados são apontados, no âmbito das apurações, por suposta atuação em um esquema que envolveria desvio de drogas apreendidas, subtração de entorpecentes de traficantes para possível revenda a grupos rivais e compartilhamento de informações internas com o objetivo de favorecer criminosos.

Na avaliação da magistrada, o prolongamento da prisão se justifica pela necessidade de avanço das investigações, que ainda estão em andamento e incluem a análise de um grande volume de materiais recolhidos, entre eles dispositivos eletrônicos considerados relevantes para o caso.

A decisão também rejeitou o pedido da defesa do delegado Braz Morroni para que a prisão fosse convertida em domiciliar por questões de saúde. A juíza entendeu que não foram apresentados documentos que comprovassem a impossibilidade de tratamento adequado na unidade prisional onde ele se encontra, a Penitenciária Especial do Valentina. Ainda assim, foi determinado que o presídio assegure o atendimento médico necessário ao detento.

Relembre a prisão

O delegado Braz Morroni foi preso no último dia 2 de junho, no âmbito da Operação Perfidus, que investiga uma suposta organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e outros crimes relacionados.

De acordo com as investigações, Braz e os policiais civis Eduardo Jorge e Everton Silva teriam obtido informações privilegiadas sobre imóveis e veículos utilizados por traficantes para armazenar e transportar entorpecentes. Com base nesses dados, o grupo teria realizado ações clandestinas que, conforme a apuração, eram favorecidas pela condição funcional de alguns dos envolvidos e pela aparência de legalidade decorrente do exercício de atividades policiais.

De acordo com os elementos reunidos durante a apuração, parte das drogas localizadas nessas ações era desviada e posteriormente comercializada de forma ilícita, inclusive dentro do sistema prisional. Os lucros obtidos seriam divididos entre agentes públicos e demais integrantes da organização criminosa.

As investigações também revelaram indícios de manipulação de procedimentos policiais para conferir aparência de legalidade às ações criminosas e dificultar a identificação do esquema. Além disso, foram identificados elementos que apontam para a retirada clandestina de entorpecentes armazenados em unidade policial, oriundos de apreensões regularmente registradas.

Outro aspecto apurado foi o repasse sistemático de informações sigilosas sobre operações policiais a integrantes do tráfico de drogas, o que permitia a frustração de ações repressivas, a evasão de suspeitos e a continuidade das atividades criminosas.

Após realização de audiência de custódia, o delegado foi encaminhado para o Presídio Especial do Valentina de Figueiredo, na Capital.

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