A inauguração da primeira etapa do resort Tauá, no Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa, na Paraíba, na última quinta-feira, está sendo tomada como um grande marco para o Estado.
Existiriam boas razões para tanto. O empreendimento é o primeiro de outros 11 projetos, entre resorts e parques, em construção ou contratados com o governo do Estado para implantação na costa do mar da Capital da Paraíba, todos de elevada categoria, e com R$2,5 bilhões de investimentos previstos. O Tauá se anuncia como o maior resort do Brasil. Foi inaugurado inicialmente com 514 apartamentos (o projeto final chagará a 1.200), além de ampla área de piscinas, parques, bares e restaurantes, já edificada. O projeto é, efetivamente, de grande porte. Além disso, a inauguração tira do papel um projeto turístico 40 anos após sua concepção, em 1986.
Desde então, 9 governadores passaram pelo comando da Paraíba em 12 períodos de gestão, sendo que um deles – o governador Antônio Mariz – ficou poucos 9 meses no governo.
Passaram pelo governo da Paraíba nesses últimos 40 anos Tarcísio de Miranda Burity (1987/1990), idealizador do projeto do polo turístico; Ronaldo Cunha Lima (1991/1994); Antônio Mariz (apenas 9 meses), José Maranhão (1995/1998; 1999/2002, 1999/2010), Cássio Cunha Lima (2003/2006 e 2007/2009; Ricardo Coutinho (2011/2014 e 2015/2018 e dois vice-governadores – Cícero Lucena (1994) e Roberto Paulino (2002) – assumiram efetivamente o governo por períodos de 9 meses de gestão, mas pouco ou quase nada fizeram para tornar realidade um dos maiores anseios do Estado.
Observe-se que três desses governadores exerceram mais de um mandato – José Maranhão ocupou o governo por cerca de 10 anos em 3 mandatos, Cássio Cunha Lima ficou mais de 6 anos no poder (1 mandato e meio) e Ricardo Coutinho administrou o Estado por 8 anos (2 mandatos completos), mas, ainda assim, dar vida ao projeto, enquanto assistiam aos demais Estados do Nordeste incrementarem grandes projetos turísticos, aumentando destacadamente suas divisas, riquezas e empregos para sua população.
Registre-se, porém, por verdade, que o governador Cássio Cunha Lima chegou a licitar a obra do Centro de Convenções, o governador José Maranhão iniciou a obra, realizada pelo governador Ricardo Coutinho, que também conseguiu destravar juridicamente imbróglios dos terrenos do polo, permitindo o andamento do projeto na gestão do governador João Azevedo, no governo desde 2019, período no qual conseguiu tirar o Polo Turístico Cabo Branco do papel.
Por que, então, 9 governadores, em 40 anos, não conseguiram tirar do papel um projeto de importância significativa para o desenvolvimento da Paraíba, mesmo que em vários momentos o Ministério do Turismo, Sudene e Banco do Nordeste tenham disponibilizado muito dinheiro para financiamento de grandes empreendimentos turísticos?
Haverá quem atravesse desculpas em defesa deste ou daquele governador. Cada um usou alegações de crises econômicas nacionais, portanto, fatores externos para não conseguirem tocar o projeto, mas, em verdade, além da incapacidade de equalizar os problemas aventados e ousarem, duas ou três questões internas funcionaram como barreira impeditiva à construção do Polo Turístico Cabo Branco.
Um deles foi a politicagem. A Paraíba acabou atravessando em boa parte das últimas 4 décadas período de forte polarização política, com grupos se exasperando para desconstruir o adversário. Os governos que se sucediam quase sempre evitavam dar continuidade a obras ou projetos concebidos na gestão anterior. Muitas vezes se fez praticamente a mesma coisa, mas com nomes e mudanças que pudessem descaracterizar a possível paternidade do projeto. O projeto do Polo Turístico Cabo Branco, por exemplo, nasceu com o nome de Costa do Sol e concebido como uma costa hoteleira nos moldes da Via Costeira, em Natal. Além de mudar de nome, foi redirecionado para atender o turismo de eventos no governo Ronaldo Cunha. Passou a depender do centro de convenções, que acabou não se constituindo em prioridade no governo Maranhão e nem Cássio conseguiu avançar.
Por mais que se use de benevolência nas avaliações não há como não enxergar que os gestores estaduais descuraram em relação a esse projeto de desenvolvimento e sem razões que não sejam de negligência, falta de atenção e de cuidados, desleixo, inércia e omissão, tudo em decorrência da má vontade política.
Uma outra razão que travou a execução do projeto do Polo de Cabo Branco diz respeito à propriedade dos terrenos na área desapropriada pelo Estado. Logo que disponibilizados, entre 1987 e 1988, houve correria na procura e quase todos os terrenos acabaram sendo contratados por empresários locais, a grande maioria sem qualquer ligação com o setor de hotelaria. Ansiavam por vultosos empréstimos com juros subsidiados. O governo não fez a estrutura da área, os empresários não fizeram projetos e os empréstimos não vieram. Os terrenos ficaram presos e à espera de uma onda de especulação. Somente no governo Ricardo Coutinho os terrenos foram retomados com ações na Justiça.
Essa situação de entrave gerado pela equivocada distribuição ou contratação de terrenos revela, igualmente, a má vontade do poder político estadual de fazer o projeto do polo turístico sair do papel.



