O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, reforça uma transformação cada vez mais evidente no mercado de trabalho: o avanço da presença feminina em áreas majoritariamente ocupadas por homens, como a a construção civil e o transporte rodoviário de cargas.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, entre 2023 e 2025, o número de mulheres empregadas aumentou de 7,2 milhões para 8 milhões. Mais do que ampliar números, essa participação vem contribuindo para mudanças culturais, inovação e novos modelos de liderança.
No setor da engenharia, esse avanço também acontece. Atualmente, as mulheres representam cerca de 25% dos profissionais da área no Brasil, moldando um novo cenário no mercado.
Cida Medeiros, CEO da Delta Engenharia — umas das poucas mulheres a ocupar essa posição no setor na Paraíba, destaca que a trajetória feminina na área ainda exige superação de barreiras, mas observa um cenário mais aberto à diversidade.
“Quando comecei na engenharia, a presença feminina era rara, mas hoje estamos andando na direção da equidade do mercado de trabalho da construção civil. Enxergamos a evolução da última década, mas também temos conosco a responsabilidade dos próximos anos. Na Delta, temos hoje mulheres em todos os nossos canteiros de obra porque sabemos do potencial e da competência feminina”, afirma Cida.
No transporte rodoviário de cargas, a presença feminina também ganha espaço, tanto em funções administrativas quanto operacionais. O setor vive um momento de expansão e modernização, ao mesmo tempo em que enfrenta um desafio estratégico: ampliar o quadro de profissionais, especialmente motoristas, para atender à crescente demanda logística na região.
Para o presidente da Fetranslog/NE, Arlan Rodrigues, a inclusão é parte fundamental desse processo de fortalecimento do setor. “O transporte rodoviário de cargas vive um momento estratégico. Precisamos contratar mais mulheres e ampliar nossa base de profissionais qualificados. A participação feminina é fundamental nesse processo, seja na direção de veículos, na gestão ou na área administrativa”, destaca o presidente.
Sob a ótica da gestão de pessoas, a presidente da ABRH-PB, Patrícia Queiroz, ressalta que o setor de Recursos Humanos tem papel estratégico na ampliação da presença feminina no mercado de trabalho.
“A consolidação dessa participação passa pela implementação de políticas estruturadas de equidade, programas contínuos de desenvolvimento e incentivo à liderança feminina. Quando as empresas assumem esse compromisso de forma consistente, os resultados aparecem não apenas na representatividade, mas também na inovação, na produtividade e na sustentabilidade dos negócios”, afirma Patrícia.
Neste 8 de março, mais do que celebrar avanços, o momento convida empresas e lideranças a assumirem compromissos concretos com a equidade. A ampliação da presença feminina na engenharia e no transporte demonstra que diversidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de desenvolvimento, competitividade e fortalecimento do mercado de trabalho na Paraíba.



