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Transporte por aplicativo sobe 56% e pesa no orçamento das famílias

Alta registrada pelo IPCA reacende debate sobre “gastos invisíveis” e consumo automático em serviços digitais

Transporte por aplicativo sobe 56% e pesa no orçamento das famílias
Foto: Divulgação

O transporte por aplicativo registrou alta de 56% em 12 meses no país, segundo dados de dezembro de 2025 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE. No estado, esse serviço liderou a inflação entre os itens analisados e pressionou o orçamento das famílias, além de ampliar o debate sobre os chamados “gastos invisíveis”.

Os chamados gastos invisíveis incluem despesas recorrentes que se diluem na rotina diária e só mostram impacto quando o consumidor soma os valores. Nesse grupo entram taxas de conveniência em aplicativos, assinaturas digitais pouco utilizadas, compras frequentes em serviços de delivery e pagamentos automáticos de pequeno valor.

A assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo da Central Sicredi Nordeste, Joana Macêdo, afirma que o principal desafio está na percepção dessas despesas. Segundo ela, o problema não está apenas no valor do serviço, mas na falta de visibilidade consolidada dos gastos. “Quando os gastos aparecem distribuídos em diferentes plataformas e datas, o consumidor perde a noção do total comprometido no mês”, afirmou.

Ela explica que o transporte por aplicativo exemplifica esse comportamento porque reúne variação de preço e pagamento automático. “A corrida atende a uma necessidade real de deslocamento, mas a dinâmica digital reduz a percepção do custo acumulado. Sem acompanhamento sistemático, a soma mensal pode surpreender”, disse.

No campo das finanças comportamentais, especialistas relacionam os gastos invisíveis ao chamado piloto automático no consumo. A gerente de Educação Financeira e Liderança Cooperativista do Sicredi, Cristiane Amaral, afirma que o risco está na repetição de pequenos valores ao longo do tempo. “O verdadeiro problema não é o café ou o lanche, mas o modo automático. Quando a compra ocorre de forma rápida demais, o cérebro não registra aquilo como um gasto consciente”, explicou.

A digitalização das finanças também contribui para esse cenário. Pagamentos por biometria, cartões previamente cadastrados e confirmações em poucos cliques reduziram o esforço para concluir uma compra e tornaram o consumo mais frequente.

Cristiane Amaral destaca que pequenas despesas diárias podem gerar impacto significativo no longo prazo. “Um gasto de oito reais por dia pode representar 240 reais no mês ou 2.880 reais no ano. Como ocorrem de forma silenciosa, muitas vezes passam despercebidos”, afirmou.

Especialistas recomendam que o consumidor reúna todos os pagamentos recorrentes em um único controle financeiro. Essa organização ajuda a identificar padrões de consumo e permite decisões mais conscientes sobre o uso de serviços digitais.

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