Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba desenvolveram uma barra alimentícia com alto teor de proteína e custo de produção menor que o de produtos semelhantes no mercado. A pesquisa surgiu no curso de Engenharia de Alimentos e gerou um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A equipe utilizou quatro ingredientes na formulação do alimento: melado de cana, aveia integral em flocos, amendoim torrado sem sal e leite integral em pó. A composição alcançou teor de proteína de 14%, índice superior ao de barras de cereais comuns, que apresentam entre 5% e 6%. Cada unidade pesa 39 gramas e fornece cerca de 5,6 gramas de proteína, quantidade suficiente para classificação como fonte de proteínas segundo normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
O professor Ian Nóbrega iniciou os primeiros testes em 2021 após conhecer o trabalho da Comunidade Filhos da Misericórdia, em João Pessoa. A instituição distribui refeições para pessoas em situação de rua. O docente decidiu desenvolver um alimento compacto, nutritivo e estável, capaz de facilitar ações sociais e reduzir riscos de deterioração durante a distribuição.
A pesquisa ganhou estrutura acadêmica em 2022 quando a estudante Priscila Guilhen iniciou o Trabalho de Conclusão de Curso sob orientação de Ian Nóbrega. Os testes avançaram no laboratório do Departamento de Engenharia de Alimentos da UFPB. A estudante apresentou o trabalho em junho de 2023 com o desenvolvimento de uma barra de cereais voltada principalmente para pessoas em situação de insegurança alimentar.
O pedido de patente inclui o professor Ian Nóbrega, a estudante Priscila Guilhen, a professora Solange Sousa, do Departamento de Gestão e Tecnologia Agroindustrial no campus de Bananeiras, e o professor Gilsandro Costa, também do Departamento de Engenharia de Alimentos. Os pesquisadores também calcularam o custo de produção do alimento. A estimativa apontou valor aproximado de R$ 0,85 por unidade já embalada. No mesmo período da análise, uma barra semelhante com sabor de castanhas ou amendoim custava cerca de R$ 3,50 no comércio de João Pessoa.
A equipe realizou testes de degustação com 47 participantes para avaliar sabor e aceitação do produto. A maioria atribuiu notas altas na escala sensorial utilizada no estudo. O levantamento também indicou intenção de compra entre 83% dos participantes, enquanto pequena parcela demonstrou dúvida ou rejeição. A formulação não inclui corantes, aromatizantes, conservantes ou outros aditivos químicos. Essa característica diferencia o produto de grande parte das barras disponíveis no mercado e impede classificação como alimento ultraprocessado.
Os pesquisadores também destacam a simplicidade do processo de produção. O método utiliza etapas acessíveis, baixo consumo de energia e equipamentos simples. Essa estrutura permite fabricação em pequena ou grande escala e amplia possibilidades de uso em projetos sociais ou produção comercial



