Biofábrica do Método Wolbachia realiza última soltura de Wolbitos em Prudente

Após um ano de atividades, Biofábrica do Método Wolbachia encerra solturas de mosquitos em Presidente, abrangendo todo o perímetro urbano.

Divulgação

A Biofábrica do Método Wolbachia realizou a última soltura de Wolbitos, mosquitos infectados com a Wolbachia, em Presidente Prudente nesta sexta-feira (31/07).

Com a última soltura, a equipe encerra as atividades, após um ano de trabalhos na cidade como a primeira Biofábrica do Estado de São Paulo.

A primeira fase de soltura iniciou na última semana de julho de 2025 e teve duração de 28 semanas, sendo encerrada em fevereiro deste ano.

Cerca de 50% do perímetro urbano de Prudente foi coberto nesta etapa, em bairros como Ana Jacinta, João Domingos Netto, Novo Bongiovani e regiões próximas.

Na segunda etapa, em março de 2026, foi realizado o atendimento aos outros 50% da cidade, metade não atendida na primeira fase, com solturas nas zonas norte e oeste da cidade.

Esses mosquitos infectados com a Wolbachia vão se reproduzir com os Aedes aegypti locais e, aos poucos, estabelecerão uma nova população que não transmitirá dengue.

O resultado completo da aplicação do método levará, aproximadamente, dois anos para ser plenamente observado.

Em Prudente, a biofábrica foi implantada por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a Prefeitura.

O município cedeu o espaço, no Jardim Everest, que foi todo revitalizado e equipado. Com aproximadamente 400 m², a biofábrica foi adaptada com salas de triagem, larvas, tubos, lavagem, estoque e refeitório.

Foi nesse espaço que os profissionais realizaram, durante os 12 meses, as etapas finais do método, incluindo a eclosão dos ovos dos mosquitos com Wolbachia e a montagem dos tubos para liberação em campo.

A secretária Municipal de Saúde (Sesau), Adriana Vitorio, agradeceu a toda a equipe pelo empenho durante esses 12 meses e à administração municipal, que se empenhou para que a iniciativa acontecesse. “A ciência, aliada à educação comunitária e ao apoio institucional, transforma política em esperança e proteção”, pontuou a secretária.

Resultados

De acordo com a gestora de projetos do método Wolbachia e representante da WMP (World Mosquito Program) Brasil, Ana Carolina Rabello, nas cidades que já foram contempladas com o método, houve uma redução significativa das arboviroses, notadamente a dengue, em pelo menos 70%.

Antes das liberações, o WMP realizou um amplo trabalho de engajamento comunitário e comunicação, garantindo o diálogo com a população e apresentando a segurança e eficácia da tecnologia. Em Prudente, foram realizadas mais de 170 atividades, alcançando mais de 61 mil pessoas.

Descoberta por cientistas da Monash University em Melbourne, na Austrália, e pelo coordenador do programa no Brasil, Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz, a tecnologia Wolbachia já foi introduzida em 14 países.

As primeiras liberações de mosquitos com Wolbachia no Brasil começaram em setembro de 2014, no Rio de Janeiro, após a aprovação do governo e o apoio da comunidade local. Antes da primeira liberação, a equipe no Brasil passou mais de dois anos monitorando os mosquitos e trabalhando com as comunidades em locais de teste de campo.

Em 2017, após testes animadores em pequena escala, o World Mosquito Program iniciou implantações em larga escala no Brasil. Atingiu mais de 3,2 milhões de pessoas nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói (RJ), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS) e Petrolina (PE).

Eficácia do método

O método Wolbachia tem eficácia comprovada. Um RCT (estudo clínico controlado randomizado, em português), realizado em Yogyakarta, Indonésia, aponta redução de 77% na incidência de dengue em áreas tratadas com Wolbachia, em comparação com áreas não tratadas.

O impacto positivo da Wolbachia na redução das taxas de transmissão de arbovírus tem sido observado em várias cidades, inclusive em Niterói, onde o número de casos de dengue foi reduzido em 70%, chikungunya em 56% e zika em 37%.

Em cenários mais complexos, como o Rio de Janeiro, a redução da transmissão da dengue variou de 10% a 76%, dependendo do estabelecimento da Wolbachia.

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