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Homem é preso em flagrante por manter a mãe em cárcere privado

A mãe, que é idosa, era mantida em um quarto escuro da residência, em Rancharia (SP); vítima estava debilitada e sem comer há quatro dias.

Casa estava sem energia elétrica e em péssimas condições de habitação | Foto: Polícia Militar

Um homem foi preso em flagrante na noite desta segunda-feira (12) em Rancharia (SP), acusado de manter a própria mãe, uma mulher idosa, em cárcere privado, submetendo-a a condições desumanas e maus-tratos. A vítima foi encontrada pela Polícia Militar em estado de aparente desnutrição, trancada em um quarto escuro e sem forças para se levantar.

O caso veio à tona por volta das 19h, quando a Polícia Militar foi acionada para atender a uma ocorrência de “desinteligência” entre mãe e filho, em uma residência no bairro Rui Charles. Ao chegarem ao local, os policiais se depararam com o filho próximo à porta da sala, segurando uma faca. Após ordenarem que ele largasse o objeto, o que foi obedecido, as autoridades o questionaram sobre o paradeiro de sua mãe.

O homem informou que ela estava trancada no quarto. Os policiais então o fizeram indicar o cômodo e abrir a porta. A idosa estava no quarto escuro (a casa inteira estava sem energia elétrica), deitada sobre um colchão no chão, visivelmente debilitada, sem alimentação e higiene adequadas.

Resgate e Condições Desumanas

Percebendo a gravidade da situação, os policiais acionaram o Corpo de Bombeiros para prestar os primeiros socorros. Em uma conversa inicial, a vítima relatou que estava trancada há vários dias e sem se alimentar há quatro. A aparência de desnutrição e a fraqueza extrema, a ponto de não conseguir se levantar sozinha, confirmavam a urgência do atendimento.

O ambiente da residência foi descrito como estando em péssimas condições de habitação. Durante a abordagem, o filho permaneceu agitado, sendo necessário o uso de força moderada e de uma arma de incapacitação neuromuscular (teaser) para contê-lo. Ele foi algemado para garantir a segurança da equipe e da própria vítima.

Acompanhamento Social e Histórico Familiar

Uma assistente social do município, que mora nas proximidades, ouviu a movimentação e foi ao local para oferecer suporte. Ela acompanhou a idosa até o hospital e permaneceu com ela até a chegada de outros profissionais da rede de proteção. A testemunha confirmou que a vítima estava “bastante desidratada e enfraquecida”.

Em seu depoimento, a assistente social revelou que a família já era acompanhada pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Rancharia. Ela explicou que, apesar do suporte oferecido pelo município, a idosa insistia em manter o filho por perto.

No entanto, o convívio era considerado prejudicial, pois o filho, supostamente usuário de drogas, vendia recorrentemente os bens e itens de cesta básica que a família recebia.

“Boa pessoa”

Em atendimentos anteriores, a mãe descrevia o filho como uma boa pessoa que cuidava dela, mas que “se tornava outra pessoa” após o consumo de entorpecentes. Seu desejo não era puni-lo, mas sim que ele recebesse tratamento para a dependência química.

Devido ao seu estado de saúde debilitado, a vítima não pôde prestar um depoimento formal na delegacia. No entanto, em vídeos gravados após o resgate, enquanto era alimentada, ela manifestou interesse em representar criminalmente contra o filho, reforçando o desejo de que ele fosse internado.

Prisão em flagrante

Na delegacia, o delegado de polícia decretou a prisão em flagrante do filho pelos crimes de cárcere privado qualificado (por ser cometido contra ascendente), maus-tratos contra pessoa idosa e violência doméstica e familiar, conforme a Lei Maria da Penha. O indiciado, ao ser cientificado de seus direitos, optou por permanecer em silêncio.

Não foi arbitrada fiança, considerando o risco à integridade física da vítima e a gravidade dos crimes. O homem permanecerá preso à disposição da Justiça para a audiência de custódia. A faca encontrada com ele foi apreendida, e a polícia aguarda o depoimento formal da vítima para apurar uma possível ameaça. O caso segue em investigação por meio de inquérito policial.

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