A Polícia Civil decidiu nesta sexta-feira (27) pelo indiciamento de Luiz Antonio Garnica e Elizabete Arrabaça, marido e sogra da professora Larissa, respectivamente. Ambos respondem por homicídio doloso qualificado pelo feminicídio e utilização de meio cruel no assassinato.
“Luiz Antonio Garnica e Elizabete Eugênio Arrabaça foram formalmente interrogados e negaram a prática do delito, entretanto, com base nas provas coletadas, que demonstram a materialidade do delito e indícios suficientes de autoria, procedeu-se ao indiciamento de Luiz Antonio Garnica e Elizabete Eugênio Arrabaça”, decidiu a Polícia Civil, por meio do inquérito.
A decisão judicial acompanha a determinação de prisão preventiva dos indiciados. “A conduta dos indiciados, que inclui a tentativa de adulterar a cena do crime, a limpeza de vestígios de sangue, a insistência na cremação do corpo da vítima, a criação de álibis falsos e a preocupação em apagar provas digitais, demonstra um claro intento de obstruir a justiça e revela a periculosidade dos agentes, que, em liberdade, poderiam continuar a interferir na coleta de provas e na intimidação de testemunhas”, justifica a decisão, em meio a outros fatores, como o interesse financeiro, por exemplo.
Entenda o que o inquérito decidiu
Os indiciados são imputados pelos crimes de: Homicídio Doloso Qualificado pelo Feminicídio e pela Utilização de Meio Insidioso ou Cruel
Materialidade: Comprovada pela presença de Aldicarbe e Aldicarbe Sulfóxido (“chumbinho”) no corpo da vítima, conforme Laudo Necroscópico.
Meio Insidioso: A administração do veneno, sem sinais externos de violência, de forma sutil e reiterada, visava dissimular a causa da morte. Os sintomas de mal-estar da vítima nos dias anteriores ao óbito, após ingerir alimentos fornecidos por Elizabete e ser medicada por Luiz, corroboram o envenenamento progressivo.
Feminicídio: A morte de Larissa ocorreu em um contexto de violência doméstica e familiar, motivada pela recusa de Luiz em aceitar o divórcio após a descoberta de sua traição, além de histórico de humilhações e controle financeiro. A conduta do agente é em razão da condição de mulher da vítima, no âmbito de relação íntima de afeto.
Participação de Elizabete: As pesquisas por veneno em seu celular, a busca por “chumbinho”, o fornecimento de alimentos e medicamentos à vítima em seu período de mal-estar e suas inconsistências no depoimento indicam sua atuação no fornecimento e possível administração do veneno.
Participação de Luiz: Sua motivação pela comunicação do divórcio e interesses financeiros, interesse em iniciar o relacionamento com a amante Letícia, o comportamento suspeito no dia do óbito, incluindo a troca de roupas e a contradição da rigidez cadavérica, a insistência na cremação, as tentativas de limpeza do local, o interesse em acessar os bens da vítima logo após a morte, a criação de um álibi e as pesquisas sobre extração de dados e limpeza de informações em seu computador revelam seu envolvimento direto na execução e ocultação do crime.
O documento policial ainda aponta as conexões entre as mortes de Larissa e Nathália Garnica, falecida pouco mais de um mês antes do óbito da professora de pilates.
“Inicialmente, a morte de Nathália foi registrada como “morte natural” devido à ausência de sinais de violência visíveis. Contudo, a investigação do homicídio de Larissa trouxe à tona indícios que levantaram suspeitas sobre a verdadeira causa da morte de Nathália”, indica o texto.
“A exumação do corpo de Nathália Garnica, realizada em 23 de maio de 2025, no Cemitério Municipal de Pontal, teve como objetivo coletar amostras para exame toxicológico. O Laudo Tanatológico nº 204509/2025- GDL, que acompanhou a exumação, confirmou a presença de Carbofurano no corpo de Nathália, concluindo
que a causa da morte foi intoxicação exógena por praguicida. O Carbofurano, assim como o Aldicarbe encontrado em Larissa, é um carbamato, ambos popularmente conhecidos como “chumbinho”, continua o inquérito da Polícia Civil, de 14 páginas.



