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Conselho Tutelar alega falta de denúncias e esclarece suposta omissão à criança torturada

Conselheira esclareceu a atuação do órgão no episódio de violência contra criança morta em Ribeirão Preto

Conselheira durante entrevista à imprensa | Foto: Reprodução TH+ Portal

“Nunca chegou. Para a gente atuar, a gente precisa ser provocado, precisa ser apontada uma denúncia. Nunca teve nada dessa criança”. Assim respondeu a Conselheira Carmen Gaspar sobre uma suposta omissão do Conselho Tutelar no caso que resultou a morte de uma criança de três anos, por tortura, em Ribeirão Preto.

Durante entrevista ao TH+ Portal, a Conselheira afirmou a ausência de registros e denúncias que “não tem como atuar, porque não tem como a gente saber que está acontecendo aquilo ali”, alegou, a conselheira.

Sobre a transferência da guarda para o avô suspeito, Carmen alega que a ação envolvendo a justiça não aconteceu em Ribeirão Preto, novamente justificando a afirmativa pela ausência de registros oficiais. “Não foi feito aqui, nem pelo Conselho nem pelo Judiciário”, disse.

A suposta omissão do Conselho Tutelar é apurada pelo Ministério Público.

Avô e namorada – que confirmou ter agredido a criança por diversas ocasiões em um apartamento do bairro Parque São Sebastião – estão presos preventivamente.

Atualmente, o Conselho Tutelar de Ribeirão Preto está localizado na rua Floriano Peixoto e conta com três núcleos, com cinco membros em cada parte. Cada conselheiro responde pelo cargo durante mandato de quatro anos. Estes são encarregados de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente.

O caso

A falta de vontade em se alimentar, segundo informações do Jornal da 79, seria uma das causas apontadas pela mulher de 32 anos como justificativa para agressões contra uma criança de três anos, morta nesta terça-feira (17), em Ribeirão Preto.

A afirmação aconteceu durante depoimento na Delegacia da Polícia Civil, nesta quarta-feira (18). Ainda em meio ao processo de investigação, a mulher, identificada como Karen Marques, teria afirmado não gostar da criança, confessando agressões frequentes.

Além de Karen, o avô da criança, identificado como José dos Santos, também foi preso preventivamente, após Audiência de Custódia. Ambos são investigados por tortura seguida de morte.

Em contato informal com o jornalismo do TH+ Portal, o avô de 42 anos negou ter agredido a vítima em qualquer ocasião, relatando ainda que não percebia a condição física da vítima – que, segundo ele, era camuflada pela namorada com roupas cumpridas.

O celular de cada parte foi apreendido para perícia, e o caso segue sendo investigado.

Conforme revelado pelo TH+ Portal nesta quarta-feira (18), a vítima de três anos apresentava desnutrição e não recebia atendimento médico desde meados de 2023, conforme impresso no Boletim de Ocorrência (BO).

Ainda de acordo com o BO, todo o corpo da criança apresentava hematomas, além de baixa densidade capilar e sarcopenia.

Os hematomas espalhados pelo corpo da vítima apresentavam coloração variada entre verde, amarelo e roxo – o que, ainda segundo o Boletim, é caracterizado por agressões constantes por diversas datas distintas.

Sob tutela do avô, por conta da mãe biológica ser usuária de entorpecentes e perder a guarda pelo uso ilegal, a criança estava desaparecida há um mês, segundo relato de vizinhos.

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