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Criança torturada visitou o pediatra pela última vez em companhia da agressora e com queixa de tosse persistente

Atraso vacinal também foi constatado durante a consulta, realizada em 6 de junho de 2023

Quando deu entrada na UPA 13 de maio, nesta semana, a criança já estava morta | Foto: Arquivo

A criança de três anos morta nesta terça-feira (17) por suposta tortura não recebia atendimento médico desde 6 de junho de 2023, conforme confirmado pela Secretaria da Saúde ao jornalismo do TH+ Portal.

Na ocasião, ainda segundo a pasta executiva, a criança estava acompanhada da agressora – namorada do avô da vítima e houve queixa por uma tosse persistente, além da constatação do atraso vacinal da infante.

O primeiro registro de atendimento na rede pública de Ribeirão Preto ocorreu em 2022, quando a criança tinha dois meses de idade. A consulta foi agendada na unidade de saúde para acompanhamento de puericultura. Na ocasião, foi informado pela responsável que a criança também realizava consultas no município de Itapetininga.

Aproximadamente um mês depois, houve novo atendimento de rotina, novamente com a mãe. No prontuário constam informações de aleitamento materno e registro de bom estado geral da criança, naquele momento.

A Secretaria da Saúde ainda afirma que, diante das faltas às consultas agendadas e do esquema vacinal em atraso, “a equipe realizou tentativas de busca ativa para restabelecer o acompanhamento, porém sem sucesso”.

O caso

A falta de vontade em se alimentar, segundo informações do Jornal da 79, seria uma das causas apontadas pela mulher de 32 anos como justificativa para agressões contra uma criança de três anos, morta nesta terça-feira (17), em Ribeirão Preto.

A afirmação aconteceu durante depoimento na Delegacia da Polícia Civil, nesta quarta-feira (18). Ainda em meio ao processo de investigação, a mulher, identificada como Karen Marques, teria afirmado não gostar da criança, confessando agressões frequentes.

Além de Karen, o avô da criança, identificado como José dos Santos, também foi preso preventivamente, após Audiência de Custódia. Ambos são investigados por tortura seguida de morte.

Em contato informal com o jornalismo do TH+ Portal, o avô de 42 anos negou ter agredido a vítima em qualquer ocasião, relatando ainda que não percebia a condição física da vítima – que, segundo ele, era camuflada pela namorada com roupas cumpridas.

O celular de cada parte foi apreendido para perícia, e o caso segue sendo investigado.

Conforme revelado pelo TH+ Portal nesta quarta-feira (18), a vítima de três anos apresentava desnutrição e não recebia atendimento médico desde meados de 2023, conforme impresso no Boletim de Ocorrência (BO).

Ainda de acordo com o BO, todo o corpo da criança apresentava hematomas, além de baixa densidade capilar e sarcopenia.

Os hematomas espalhados pelo corpo da vítima apresentavam coloração variada entre verde, amarelo e roxo – o que, ainda segundo o Boletim, é caracterizado por agressões constantes por diversas datas distintas.

Sob tutela do avô, por conta da mãe biológica ser usuária de entorpecentes e perder a guarda pelo uso ilegal, a criança estava desaparecida há um mês, segundo relato de vizinhos.

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