Os carros elétricos estão cada vez mais presentes na vida urbana dos brasileiros e já ocupam uma fatia de 15% do mercado automobilístico. Embora tenham um impacto considerável na redução das emissões de CO₂, no Brasil o verdadeiro potencial da tecnologia dos veículos elétricos está no transporte público.
O País já é um dos maiores produtores de ônibus do mundo, e empresas como a BYD — chinesa, mas com fábrica em Campinas (SP) — e a Eletra, de São Bernardo do Campo (SP), são pioneiras na fabricação de ônibus elétricos no Brasil.
Mais ônibus elétricos
O maior obstáculo para a eletrificação da frota de ônibus brasileira é o custo inicial. A aquisição desses veículos pode custar até três vezes mais do que a de um ônibus movido a diesel. No entanto, ao longo do tempo, a operação se torna mais econômica.
“O custo do abastecimento com energia elétrica é muito menor, e a eficiência do motor elétrico é muito superior à do motor a diesel”, explica Adriana Marotti, professora da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (FEA) da USP e coordenadora do Laboratório de Estratégias para a Indústria da Mobilidade (MobiLab).
Além do impacto financeiro, a eletrificação da frota também traz benefícios ao meio ambiente e à saúde pública. Os ônibus a diesel emitem material particulado e gases tóxicos durante a queima do combustível, além de serem mais ruidosos do que seus equivalentes elétricos.
Aos poucos, os ônibus elétricos vêm sendo incorporados ao transporte público das cidades brasileiras. Na cidade de São Paulo, a Prefeitura estabeleceu a meta de eletrificar 20% da frota — o equivalente a 2.600 ônibus — até 2024. Na última aquisição, realizada em março, o município alcançou a marca de 1.259 veículos elétricos, menos da metade da meta prevista.
O carro elétrico na terra do etanol
Diferentemente da maioria dos países, o Brasil não depende exclusivamente dos carros elétricos para reduzir suas emissões de CO₂. O etanol, combustível produzido a partir da cana-de-açúcar e mais sustentável que a gasolina, contribui significativamente para a redução das emissões, fazendo com que os automóveis não sejam a principal preocupação nesse aspecto.
Veículos híbridos com motor flex combinam o melhor dos dois mundos, podendo funcionar movidos a energia elétrica e a etanol. “Essa seria uma solução mais vantajosa na cidade de São Paulo para a redução de emissões”, comenta Adriana.
Enquanto a indústria brasileira tem participação relevante no mercado de ônibus elétricos, o cenário é diferente no segmento de automóveis. Montadoras chinesas, como BYD e GWM, estão implantando fábricas no Brasil, assim como em diversos outros países, mas empresas nacionais ainda não têm presença significativa nesse mercado.
Nesse contexto, mesmo com as vantagens proporcionadas pelos veículos movidos a etanol, a professora considera importante a participação da indústria nacional para “manter a indústria brasileira alinhada ao estado da arte do setor no restante do mundo e preservar sua competitividade”.
**Por Jornal da USP


