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Ribeirão Preto registra 240 mortes por câncer de rim em dez anos

Campanha reforça importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da atenção aos sintomas da doença, que muitas vezes evolui de forma silenciosa

Foto: Divulgação

O terceiro mês do ano marca a campanha Março Vermelho, dedicada à conscientização sobre o câncer de rim, doença que muitas vezes evolui de forma silenciosa e só é descoberta em exames de rotina. Em Ribeirão Preto, dados do Painel de Mortalidade da Secretaria Municipal da Saúde indicam que 240 mortes pela doença foram registradas nos últimos dez anos, número que reforça a importância de ampliar a informação e a prevenção.

O alerta ganha ainda mais relevância nesta quinta-feira (12), em que se celebra o Dia Mundial do Rim, data voltada à conscientização sobre a saúde renal e a prevenção de doenças que afetam esses órgãos.

Segundo o uro-oncologista Luís César Zaccaro, a falta de sintomas nas fases iniciais faz com que muitos casos de câncer sejam identificados apenas por acaso, durante exames realizados por outros motivos.

“Os rins são órgãos muito silenciosos. Eles trabalham o tempo todo filtrando o sangue e regulando diversas funções do organismo, mas normalmente só lembramos deles quando surge algum problema. Por isso, exames de rotina são fundamentais para identificar alterações precocemente”, orienta.

Função essencial para o organismo

Os rins são responsáveis por filtrar substâncias tóxicas do sangue, como ureia, creatinina e ácido úrico, eliminando-as pela urina. Também participam da regulação do equilíbrio de água e sais no corpo, ajudando a controlar a pressão arterial e prevenindo inchaços.

Além disso, desempenham papel importante na produção de hormônios essenciais para o organismo, como a eritropoetina, que estimula a produção de glóbulos vermelhos, a vitamina D ativa, fundamental para a saúde óssea, e a renina, relacionada ao controle da pressão arterial.

Sintomas costumam aparecer tardiamente

O câncer renal corresponde a cerca de 3% dos tumores malignos urológicos e atinge principalmente pessoas entre 50 e 70 anos, sendo duas vezes mais frequente em homens.

Nas fases iniciais, porém, a doença costuma não apresentar sintomas. Quando surgem sinais, eles podem incluir presença de sangue na urina, dor na região lombar, massa palpável no abdômen, perda de peso, febre, anemia e cansaço.

“O sintoma mais clássico é o sangue na urina, muitas vezes visível, acompanhado de dor nas costas ou na região lombar. Em alguns casos, também pode surgir uma massa palpável. Mas o problema é que esses sinais geralmente aparecem quando a doença já está mais avançada”, explica o especialista.

Por esse motivo, segundo ele, muitos tumores são identificados incidentalmente. “Hoje, a maioria dos diagnósticos acontece em exames de imagem feitos por outro motivo, como um ultrassom abdominal. Quando descobrimos a lesão nessa fase inicial, as chances de tratamento eficaz e cura são muito maiores”, destaca.

Fatores de risco

Entre os principais fatores associados ao câncer de rim estão o tabagismo, hipertensão arterial, obesidade, sedentarismo, histórico familiar da doença e exposição a substâncias tóxicas.

“O tabagismo é um dos fatores de risco mais importantes. Além disso, condições como obesidade e pressão alta também aumentam a probabilidade de desenvolvimento do tumor. Por isso, cuidar do estilo de vida é uma forma importante de prevenção”, afirma Zaccaro.

Tratamento evoluiu nos últimos anos

O tratamento do câncer renal depende do estágio da doença. Nos casos iniciais, a abordagem costuma ser cirúrgica, com remoção apenas da área afetada do rim.

“Hoje contamos com tecnologias avançadas, como a cirurgia robótica, que permite retirar apenas o nódulo e preservar o restante do rim. Essa preservação é muito importante para a saúde do paciente ao longo da vida”, afirma o médico.

Em alguns casos, pode ser necessária a remoção completa do órgão (nefrectomia total). Já nos tumores mais avançados, o tratamento pode incluir terapias medicamentosas, como imunoterapia, além de outras abordagens complementares.

“A ideia é sempre buscar o diagnóstico mais precoce possível. Quando identificamos o tumor pequeno e localizado, conseguimos tratamentos menos invasivos e com excelentes resultados”, explica.

Crescimento previsto no Brasil

Embora não seja considerado um dos cânceres mais comuns, a tendência é de crescimento nos próximos anos. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que os diagnósticos de câncer renal no Brasil podem aumentar 79,5% entre 2022 e 2050, índice superior à média mundial projetada para o mesmo período, de 63,1%.

Atualmente, estima-se que cerca de 11 mil novos casos sejam diagnosticados anualmente no país, com aproximadamente 4,5 mil mortes por ano.

Para Zaccaro, campanhas como o Março Vermelho têm papel importante para ampliar o conhecimento da população sobre a doença.

“O câncer de rim não recebe tanta atenção quanto outros tipos de tumor, justamente porque é menos frequente. Mas estamos falando de milhares de casos por ano. Por isso, iniciativas de conscientização são fundamentais para lembrar a população da importância dos exames de rotina e da atenção à saúde dos rins”, conclui o médico.

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