Startup criada por aluno da USP capta R$ 7,5 milhões para transformar o turismo com IA

PassHub reúne mais de 2,5 mil agências de viagens e busca estudantes e profissionais para acompanhar o crescimento da plataforma

A empresa desenvolveu plataforma que reúne diferentes fornecedores de produtos turísticos para simplificar o trabalho dos agentes de viagens | Foto: USP/Freepik

Uma startup de tecnologia criada a partir de um problema identificado no mercado de turismo já reúne mais de 2,5 mil agências de viagens e acaba de captar R$ 7,5 milhões para ampliar suas operações. A PassHub foi fundada pelo estudante Marcos Americano Rodrigues, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) da USP, em parceria com empreendedores ligados a outras universidades, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Insper.

A empresa desenvolveu uma plataforma que reúne, em um único ambiente, diferentes fornecedores de produtos turísticos, como passagens aéreas, com o objetivo de simplificar o trabalho dos agentes de viagens. A inteligência artificial é utilizada tanto no desenvolvimento da tecnologia quanto na criação de novas funcionalidades para a plataforma.

Para Rodrigues, a experiência de identificar um problema e buscar uma solução está diretamente relacionada ao ambiente universitário. “Empreender é resolver problemas e, antes da solução, sempre vem um problema”, afirma.

Da experiência profissional à criação da startup

A ideia surgiu a partir da experiência dos próprios fundadores no setor de turismo. Rodrigues conta que a empresa nasceu a partir de três agências de viagens que enfrentavam dificuldades com sistemas considerados ultrapassados e pouco eficientes.

O contato com empreendedores de outras instituições de ensino também foi decisivo para a formação da equipe. “Quando eu descobri que tinha alguns alunos do Insper que estavam empreendendo no mesmo nicho, com uma tese parecida com a minha, busquei me aproximar”, relata.

Durante cerca de um ano, os futuros sócios mantiveram uma relação profissional, com o fornecimento de tecnologia para a agência de Rodrigues. Posteriormente, ele foi convidado a integrar o projeto como sócio. O desenvolvimento da empresa contou ainda com o apoio de iniciativas de empreendedorismo e de diferentes setores das universidades envolvidas.

A PassHub começou oferecendo soluções para consumidores e, posteriormente, direcionou seu modelo de negócio para os agentes de viagens. Hoje, a plataforma tem quase 25 funcionários, muitos deles recrutados entre estudantes e profissionais ligados às instituições de ensino dos fundadores.

Tecnologia para reduzir o tempo de operação

Um dos principais objetivos da plataforma é diminuir o tempo gasto pelos agentes de viagens em tarefas operacionais. Tradicionalmente, para fazer uma cotação, o profissional precisa consultar diferentes fornecedores até encontrar a opção mais adequada para o cliente.

A PassHub reúne essas informações em um único portal. Segundo Rodrigues, a ferramenta pode reduzir em até dez vezes o tempo necessário para cotação e emissão de passagens.

“A gente consegue economizar até dez vezes o tempo de cotação e emissão de uma agência para ela ficar focada em vender e não ficar focada na operação”, explica.

A inteligência artificial deverá ampliar ainda mais essa capacidade. A expectativa é que uma nova ferramenta consiga automatizar boa parte do processo, desde a solicitação do cliente até a apresentação das opções de viagem.

“Ela vai conseguir fazer tudo de forma automática. O cliente vai solicitar a cotação para a agência e aí ela já vai dar uma sugestão automática dos três voos mais baratos, dos três principais hotéis, seguro viagem, tudo praticamente instantaneamente”, afirma Rodrigues.

Captação impulsiona expansão e contratação

O crescimento da empresa também acompanha a expansão do mercado de tecnologia aplicada ao turismo. De acordo com Rodrigues, a PassHub vem crescendo mais de 80% ao mês desde janeiro.

A captação de R$ 7,5 milhões, realizada recentemente, deverá financiar o desenvolvimento de novas funcionalidades e a expansão da inteligência artificial na plataforma.

“Esses sete milhões e meio nos dão fôlego para investir ainda mais, para melhorar essa tecnologia e, com certeza, implementar mais inteligência artificial nela”, diz.

Para o empreendedor, a tecnologia pode beneficiar não apenas os agentes de viagens, mas também os consumidores. A expectativa é que a redução de custos e de tarefas operacionais permita oferecer serviços mais ágeis e, eventualmente, produtos com preços mais competitivos.

“O maior beneficiado sempre vai ser o consumidor final, seja por nós cortarmos custos ineficientes, o que vai deixar mais barato, seja quando a gente agilizar e melhorar o serviço que ele recebe”, afirma.

Universidades como fonte de talentos

Com o crescimento da empresa, a conexão com as universidades também ganha uma nova dimensão: a busca por profissionais. A PassHub está recrutando pessoas para diferentes áreas, como tecnologia, finanças e suporte.

Rodrigues destaca que mais da metade dos atuais funcionários veio de instituições relacionadas à formação dos fundadores. A empresa pretende manter essa aproximação à medida que amplia a equipe.

“Como a gente está mantendo um ritmo acelerado de crescimento, precisa cada vez mais de pessoas. E, quanto mais talentosa for essa pessoa, quanto mais diferente ela for, mais diferente ela consegue fazer isso para a gente”, afirma.

A startup está recebendo currículos de estudantes e profissionais interessados em integrar a equipe. A estratégia reforça uma característica presente desde a origem do projeto: a aproximação entre universidade, empreendedorismo e mercado.

Para Rodrigues, a experiência mostra como problemas identificados no cotidiano podem se transformar em oportunidades de inovação quando encontram conhecimento, pesquisa e pessoas dispostas a desenvolver soluções.

A trajetória da PassHub se soma a outras iniciativas de empreendedorismo tecnológico que surgiram no ambiente universitário e chegaram ao mercado. No caso da startup, a aposta agora é ampliar o uso da inteligência artificial para transformar a distribuição de produtos turísticos e, ao mesmo tempo, continuar recorrendo às universidades para encontrar os profissionais que participarão dessa transformação.

**Por Jornal da USP

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