O município de Ribeirão Preto pode se tornar sede do primeiro Tiro de Guerra Feminino do Brasil. A proposta foi anunciada nesta quinta-feira (21) pelo prefeito Ricardo Silva, que confirmou a existência de negociações entre a administração municipal e o Comando do Exército para viabilizar o projeto a partir de 2027.
Segundo o chefe do Executivo, a iniciativa ainda depende da conclusão das tratativas institucionais e da realização de adequações na estrutura física do Tiro de Guerra da cidade. Entre as intervenções previstas está a construção de um alojamento com capacidade para receber cerca de 50 mulheres.
De acordo com Ricardo Silva, a implantação da nova modalidade requer investimentos em infraestrutura para atender às exigências do Exército Brasileiro. As mudanças incluem espaços exclusivos para acomodação das futuras atiradoras e adequações em instalações já existentes.
A proposta acompanha a ampliação da participação feminina nas Forças Armadas, iniciada oficialmente em 2025, quando mulheres que completam 18 anos passaram a poder se alistar voluntariamente no Exército, na Marinha e na Aeronáutica.
Caso o projeto avance, Ribeirão Preto poderá se tornar referência nacional na inclusão de mulheres no Serviço Militar Inicial por meio do sistema de Tiro de Guerra.
Como funciona o alistamento feminino nas Forças Armadas
Desde a abertura do alistamento voluntário para mulheres, as Forças Armadas vêm implementando mudanças para receber o novo público. A medida foi desenvolvida após estudos realizados em conjunto pelos comandos militares e pelo Ministério da Defesa.
Embora o ingresso seja voluntário, a situação muda após a incorporação oficial. A partir desse momento, a militar passa a estar sujeita às obrigações previstas na Lei nº 4.375/64, conhecida como Lei do Serviço Militar, além dos regulamentos específicos de cada força.
O período inicial de prestação do serviço é de 12 meses. No entanto, a permanência pode ser prorrogada anualmente até o limite de oito anos.
A chegada das mulheres à formação de soldados exigiu uma série de adaptações operacionais. Além da criação de alojamentos exclusivos, oficiais e sargentos do sexo feminino passaram por capacitação para conduzir treinamentos e instruções militares.
Segundo o Ministério da Defesa, as recrutas têm os mesmos direitos e responsabilidades dos demais integrantes da tropa. A rotina inclui atividades como instruções de tiro, exercícios em campo, treinamentos físicos e serviços de guarda.
As Forças Armadas destacam que as atividades respeitam as particularidades físicas de cada gênero, sem comprometer a formação militar prevista para todos os soldados.
Participação feminina cresce nas Forças Armadas
Dados divulgados em 2025 apontam que aproximadamente 37 mil mulheres integravam as Forças Armadas brasileiras, representando cerca de 10% do efetivo total.
Atualmente, a presença feminina é mais expressiva em áreas como saúde, ensino e logística. Além do alistamento voluntário, mulheres também ingressam na carreira militar por meio de concursos públicos e processos seletivos de instituições como a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) e o Colégio Naval.
A criação do primeiro Tiro de Guerra Feminino do país pode representar mais um passo na ampliação da participação das mulheres na estrutura militar brasileira, abrindo novas oportunidades de formação e experiência profissional para jovens que desejam servir às Forças Armadas.

