O tribunal do crime, hora ou outra, ganha manchete como responsável pelo óbito, desaparecimento de vítimas ou o encontro de um corpo já em decomposição por matagais de raro acesso em cenários – quase “sem dono”.
Por trás de cada julgamento paralelo realizado à porta do inferno, está o crime organizado e suas lideranças – que representam o juizado contra aquele acusado de descumprir alguma norma defendida pela facção atuante em seus respectivos territórios dominados.
Especialista em segurança pública, Marco Gritti apresenta o corpo julgador responsável pela audiência como um grupo que julga à sua maneira de regra. “São os criminosos que fazem o julgamento à forma deles, não respeitam nenhum direito mínimo do ser-humano. Quem está sendo torturado, confessa até aquilo que não ocorreu”.
Ainda segundo Gritti, a prática não se aplica a uma localidade específica, e sim a qualquer território ocupado por facções, que estabelecem suas próprias constituições e exigem o comportamento social à risca do que foi definido pelo pacto.
Afirma que “é uma forma que o crime organizado encontrou de punir quem eles acham que está cometendo fatos que violam as imposições das organizações. É um modo de agir de forma geral, em todas as localidades que a organização criminosa age”.
“Eles submetem aquela pessoa que eles acham que violou as imposições do crime organizado à tortura, tratamento degradante, e a vítima acaba confessando e é morta na maioria das vezes, inclusive o corpo sequer é encontrado”, conclui.
Sumiço sem respostas
Domingo (19) e a bola era disputada em uma partida amadora de futebol na zona Norte. Guilherme Borges, jogador, foi rendido e levado por homens que desembarcaram de um carro preto.
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto continua trabalhando para descobrir o que, de fato, teria ocorrido com o atleta amador de futebol. Familiares foram ouvidos. A Polícia Civil investiga o caso.
Não há informações sobre a sua localização ou condição de saúde, até a mais recente atualização. Não se descarta a possibilidade do julgamento paralelo.
Diante da repercussão do caso, o nome do desaparecido passou a ser relacionado em publicações virtuais por crimes contra menores de idade, que teriam motivado a sua sentença no submundo, segundo especulações. A Polícia investiga a hipótese.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo foi questionada sobre o assunto, porém não houve retorno até o momento. O espaço segue disponível para manifestação.
Olhar municipal
A Prefeitura de Ribeirão Preto, através da Secretaria Municipal da Justiça, foi questionada sobre sua avaliação a respeito dos julgamentos paralelos, a possibilidade de ocupação criminosa de territórios em Ribeirão Preto e também a respeito das medidas locais de combate ao tribunal do crime. Leia a resposta na íntegra:
“A Prefeitura de Ribeirão Preto esclarece que, conforme estabelece a Constituição Federal, a segurança pública é de responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo. Ainda assim, a Administração Municipal atua de forma permanente para contribuir com o fortalecimento da segurança no município, por meio de ações integradas e de apoio às forças policiais estaduais.
Como parte desse compromisso, a atual gestão implantou o programa Atividade Delegada, ampliando o policiamento ostensivo da Polícia Militar, em pontos estratégicos da cidade. Além disso, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) também realiza patrulhamento preventivo e ostensivo, reforçando as ações de segurança da população.
A Prefeitura ressalta, ainda, que, na semana passada foram empossados 64 novos guardas civis metropolitanos, que passam a integrar a corporação, ampliando a capacidade operacional da GCM e fortalecendo a atuação.
Por fim, a Administração Municipal informa que dados e informações sobre registros, estatísticas de furtos e demais ocorrências criminais são de competência da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo”.


