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USP: Ribeirão Preto avança na melhoria de sua arborização, mas ainda está aquém do ideal

Ribeirão Preto avança em reduzir o déficit arbóreo da cidade, mas, segundo especialistas, ainda são necessários mais projetos e ações para tornar a cidade bem arborizada

Praça XV de Novembro, no Centro de Ribeirão Preto | Foto: Melo de Carvalho (TH+ PORTAL)

A expectativa de recordes de calor em várias cidades do interior de São Paulo no início de 2025 destacou a falta de áreas verdes suficientes que ajudem a enfrentar o clima e deixar o ambiente urbano mais agradável. Em Ribeirão Preto não é diferente. Atualmente a cidade tem cerca de 18% de cobertura vegetal urbana, sendo que, segundo a Prefeitura, o ideal é ter 30%.

O problema é sentido pelos habitantes. Algumas iniciativas têm sido feitas para reverter esse quadro. Uma delas é o movimento Tá Com Calor? Plante Árvores, que já realizou o plantio de mais de 2 mil árvores na cidade. O coordenador do movimento, Reinaldo Romero, destaca a importância de se melhorar a arborização em cidades que vivem um contexto de monocultura e de extremos climáticos, como Ribeirão Preto. “Uma cidade mais arborizada, com ruas arborizadas, praças e parques, enfrenta melhor esse extremo climático, é de suma importância, não só em Ribeirão, mas também em outras cidades que vivam esse contexto, que existam grupos de pessoas, instituições, empresas plantando e exigindo políticas públicas em prol de uma melhor arborização.”

O professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP Tomas Ferreira Domingues também comenta a situação da arborização na cidade. “Em Ribeirão Preto, primeiramente, a gente precisa fazer a distinção de que existe a área urbana e a área urbana mais rural, o município de Ribeirão Preto tem cerca de 3% de matas nativas restantes, mas pensando só em ambiente urbano estima-se que mais ou menos 12% da área é coberta por áreas verdes, coberta com gramados, jardins e árvores; a recomendação para uma saúde da população adequada é cerca de 50%, então 12% está muito aquém do valor ideal. Esse número vem de contas em que se estima que mais ou menos 12 metros quadrados de área verde são necessários por habitante – 12 metros quadrados é um quadrado de 3 metros por 4 metros, ou 2 metros por 6 metros. É uma área relativamente pequena, mas considerando que na cidade temos 800 mil habitantes, isso seria, na somatória, cerca de 950 hectares. Então a gente está muito aquém desse número ideal de áreas cobertas por vegetação.”

Há alguns anos, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Ribeirão Preto (AEAARP) realizou um inventário das árvores nos bairros da cidade. Agora planeja reflorestar um bairro inteiro, o Jardim São Luiz, na zona sul da cidade. O coordenador do projeto Ribeirão Floresta, o agrônomo José Walter Figueiredo Silva, explica a escolha do bairro: “A associação desenvolveu um programa de reflorestamento na cidade de Ribeirão Preto, numa colaboração entre sociedade civil e setor público. A gente tinha que escolher um bairro, o bairro escolhido acabou por ser o São Luiz. Por quê? Porque a AIP está no bairro São Luiz, então do ponto de vista de logística, do ponto de vista de facilitar o movimento, você tem uma estrutura que suporta isso”.

O agrônomo destaca que não é só o bairro São Luiz que precisa de uma melhor arborização. “A necessidade de reflorestar é de todos os bairros de Ribeirão. Todos os bairros precisam ser reflorestados, todos, sem exceção, a gente escolheu um em função da localização da AEAARP.”

Para José, a necessidade de reflorestar a cidade é enorme, mas para ele “não se resolve o problema pensando apenas no plantio, mas também no cuidado de pensar quantas árvores eu planto e quais, como elas estão sendo mantidas, como elas estão sendo podadas, como elas estão cuidadas“. Para ele é uma questão importante o espaço da árvore. “As pessoas aqui em Ribeirão Preto plantam árvores em tubo ou concretam o pé das árvores, isso é um absurdo, isso é um erro muito grande. Uma árvore que faz isso, plantada, concretada até o pé, o que ela vai fazer? Ela vai jogar folha fora, aí as pessoas falam, ah, árvore suja, suja, suja por quê? Porque você concretou o teu pé. Se você deixar esse espaço no mínimo, de 80 centímetros por 1,6 metro, ela jogaria muito menos folhas, ou jogaria quase nada, porque elas exigem um cuidado, desde novinhas, exige um tipo de poda, um tipo de manejo.”

No campus da USP, existe uma preocupação com a preservação do verde, o que ajuda a melhorar o ambiente da cidade, como explica o professor Domingues. “Existem iniciativas para remediar essa situação que tem um grande potencial para ser melhorada. Tem ações da população, dos gestores, de entidades interessadas pelo bem-estar das pessoas e de melhorar um aumento dessa fração verde da cidade, como foi feito pela Prefeitura, pela Faculdade de Direito da USP, pelo Departamento de Biologia e Prefeitura do campus da USP, através de reflorestamentos e plantios de espécies de mudas nativas, mudas que estão acostumadas com o clima da nossa região.” O professor conclui enfatizando que mesmo com essas ações ainda é necessário mais projetos e ações pensadas com cuidado e que contribuam para uma arborização melhor e mais efetiva para enfrentar o contexto climático presente na cidade.

No dia 25 de janeiro a Prefeitura iniciou o projeto Planta Aí Ribeirão, que pretende promover o plantio contínuo de 12 mil mudas de árvores nos próximos três meses. A ação visa a reduzir o déficit de arborização urbana da cidade.

**Por Jornal da USP 

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