Guerras, eleições e volatilidade: é hora de mexer na carteira?

Luciana Ikedo
Luciana Ikedo
Planejadora financeira CFP®, escritora e palestrante internacional, com abordagem de planejamento financeiro holístico. Possui dois MBAs pela FGV, com extensão na University of Tampa e na Ohio University (EUA), além de especialização em Finanças pelo Ibmec/Insper e FIA/USP. Em 2025, foi mediadora e palestrante em painéis da COP 30, realizada no Brasil. É autora do livro Vida Financeira – Descomplicando, Economizando e Investindo (Editora Loyola), finalista do Prêmio XP de Educação Financeira em 2023, e conselheira fiscal do IBPC.

Guerras, tensões geopolíticas, eleições, incertezas institucionais, inflação e juros. Quando o noticiário fica mais intenso, é natural que o investidor olhe para a própria carteira e se pergunte: será que está na hora de mudar alguma coisa?

Talvez. Mas não necessariamente pelos motivos que aparecem nas manchetes.

Momentos de maior incerteza são, sim, boas oportunidades para revisar os investimentos. O problema começa quando revisão vira reação. Os vieses comportamentais exercem uma influência importante sobre nossas decisões: quando um ativo sobe muito, temos a tendência de acreditar que continuará subindo e de querer mantê-lo na carteira e, quando cai, muitas vezes resistimos a reconhecer que aquela posição talvez precise ser revista.

Por isso, antes de decidir comprar ou vender qualquer ativo financeiro, algumas perguntas são mais importantes do que tentar prever qual será a próxima notícia.

Minha carteira continua adequada aos meus objetivos de vida? Tenho liquidez suficiente? Estou confortável com os riscos que assumi? Meus investimentos estão suficientemente diversificados? E o esforço que faço hoje para acumular patrimônio é compatível com aquilo que desejo construir para o futuro?

Para os recursos de longo prazo, também é fundamental olhar além da rentabilidade nominal, que é aquela que aparece no seu extrato de investimentos. Mais importante do que simplesmente “ganhar do CDI” é avaliar a capacidade do patrimônio de crescer acima da inflação e preservar poder de compra ao longo dos anos. Afinal, é a rentabilidade real que ajudará a financiar a aposentadoria, a independência financeira e os demais projetos de vida.

Outro ponto que merece atenção é a proteção. Não basta ter uma estratégia para fazer o patrimônio crescer, é preciso ter uma estratégia para proteger aquilo que já foi construído. Reserva de emergência, liquidez, diversificação, seguros, previdência e planejamento patrimonial fazem parte dessa equação.

E existe ainda uma diferença importante entre acompanhar a carteira e movimentá-la. Acompanhá-la periodicamente é saudável. Alterá-la a cada nova crise, eleição ou oscilação do mercado pode ser justamente o contrário.

O longo prazo precisa funcionar como uma âncora. Oportunidades podem, e devem, ser avaliadas, mas sem comprometer os recursos destinados aos objetivos mais importantes.

Talvez, portanto, a pergunta não seja apenas: “Está na hora de mudar meus investimentos?”

A pergunta mais importante é: “Minha carteira ainda me leva para onde eu quero chegar?”

Porque os cenários mudam. Os mercados mudam. E nós também mudamos. Uma boa estratégia de investimentos precisa ser capaz de acompanhar essas transformações sem perder de vista aquilo que realmente importa: os nossos objetivos de vida.

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