O feriado estadual de 9 de Julho marca um dos episódios mais importantes da história de São Paulo: a Revolução Constitucionalista de 1932. O movimento armado foi iniciado em 9 de julho daquele ano contra o governo provisório de Getúlio Vargas, que governava o país sem uma Constituição desde a Revolução de 1930. Embora a data seja lembrada em todo o estado, foi no Vale do Paraíba que ocorreram alguns dos principais confrontos da guerra, transformando a região em protagonista do conflito.
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A revolução teve como principal bandeira a defesa da reconstitucionalização do país. A insatisfação paulista cresceu após Vargas assumir o poder e nomear interventores para governar os estados, retirando a autonomia política de São Paulo.
“A Revolução Constitucionalista representa o estopim de um cansaço que São Paulo vivia desde 1930. O principal objetivo era fazer com que Vargas estabelecesse uma Constituição para o país”, explicou o historiador Diego Amaro de Almeida, autor do livro A Revolução de 1932 e o Vale do Paraíba, lançado em 2025 em parceria com Hamilton Rosa Ferreira.

Segundo o pesquisador, o Vale do Paraíba tornou-se estratégico por ser o principal corredor entre São Paulo, Minas Gerais e o então Distrito Federal, no Rio de Janeiro. O plano das tropas paulistas era avançar pela região para chegar à capital federal. Como a esperada adesão de outros estados não ocorreu, a ofensiva deu lugar a uma longa guerra de trincheiras.
“O Vale sempre foi o vale dos caminhos. Essa posição estratégica fez da região um dos principais campos de batalha da Revolução. Foi aqui que ocorreram combates intensos e também onde foi firmado o armistício que encerrou o conflito”, afirmou Diego.
Diversas cidades do Vale foram diretamente atingidas pela guerra, entre elas Caçapava, Cruzeiro, Queluz, São José do Barreiro, Guaratinguetá, Lorena, Cachoeira Paulista, Silveiras, Cunha, Areias e Aparecida. A região recebeu trincheiras, hospitais de campanha, movimentação de tropas e até bombardeios realizados pelas forças federais.

Cruzeiro teve papel decisivo no desfecho do conflito. Foi na cidade que ocorreram as negociações da rendição paulista, motivo pelo qual o município recebeu o título oficial de Capital da Revolução Constitucionalista, reconhecimento garantido por lei estadual e, posteriormente, por legislação federal.
Apesar da derrota militar de São Paulo, a revolução é considerada por parte dos historiadores um marco para a redemocratização do país. O movimento aumentou a pressão sobre Vargas, que convocou eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, resultando na Constituição de 1934. O período também marcou avanços importantes, como a consolidação da Justiça Eleitoral e a participação feminina na política, com a eleição de Carlota Pereira de Queiroz como a primeira deputada federal do Brasil.
Diego Amaro destacou ainda que o legado da revolução ultrapassa os aspectos militares e permanece vivo na identidade paulista e na memória do Vale do Paraíba.
“Quando lembramos o 9 de Julho, também somos convidados a refletir sobre a importância da Constituição. Ela representa o projeto de uma nação, e conhecer essa história é entender que uma parte importante dela aconteceu aqui, no Vale do Paraíba”, completou.
O feriado de 9 de Julho foi instituído em São Paulo em 1997 pela Lei Estadual nº 9.497. Até hoje, a data é exclusiva do estado, justamente por representar um dos principais símbolos da identidade paulista.
Cidades do Vale promovem eventos para lembrar a Revolução
A programação do feriado varia entre os municípios da região. Em Cruzeiro, as homenagens fazem parte de um calendário especial durante todo o mês de julho. Nesta quinta-feira (9), às 9h, será realizado o Ato Cívico na Escola Arnolfo Azevedo, seguido pelo 17º Passeio da Irmandade Estradeira e programação cultural na Estação Ferroviária.
Em São José dos Campos, a Prefeitura realiza a tradicional Cerimônia de Hasteamento das Bandeiras às 8h, na Orla do Banhado, na Avenida São José, no Centro.

Já em Guaratinguetá, o destaque será a 90ª edição da tradicional Corrida 9 de Julho – Troféu Rinaldo Panúnzzio. Com todas as 1.200 inscrições preenchidas, a prova é considerada a quarta corrida de rua mais antiga do Brasil ainda em atividade e integra as comemorações da data.
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