O anúncio de um show costuma vir acompanhado de uma corrida contra o tempo: o artista confirma a apresentação, os ingressos são colocados à venda e começa a disputa pelas melhores opções. Para quem quer garantir presença, nem sempre há tempo, ou disposição, para fazer as contas antes da compra.
É o que acontece com uma frequentadora de shows ouvida pela equipe de jornalismo da TH+, que preferiu não ser identificada. Segundo ela, os ingressos geralmente são comprados no cartão de crédito e parcelados no maior número de vezes possível.
A justificativa está justamente na velocidade com que as vendas começam após o anúncio dos eventos. Na prática, ela prefere garantir o ingresso primeiro e lidar com o pagamento depois.
O comportamento ajuda a explicar um cenário apontado por uma pesquisa realizada com 930 frequentadores de shows e festivais: embora 83% afirmem se planejar financeiramente para participar dos eventos, um em cada três entrevistados, ou 33%, já contraiu dívidas por causa de shows e festivais.
O valor anunciado na entrada, porém, está longe de representar todo o custo de uma experiência musical. Entre os entrevistados, 32% apontaram alimentação e bebidas como o gasto que mais pesa no orçamento, enquanto o ingresso foi citado por 29%.
Também entram na conta transporte e hospedagem.
Para a entrevistada pela TH+, a localização de São José dos Campos acaba sendo uma vantagem. A proximidade com São Paulo permite que ela participe de eventos na capital e, muitas vezes, volte para casa no mesmo dia.
O chamado bate e volta ajuda a cortar justamente uma das despesas que podem encarecer a experiência: a hospedagem.
Mas nem sempre é possível, ou desejável, voltar para casa depois do show. No último evento que frequentou, ela optou por alugar uma casa para descansar após a apresentação. A decisão ficou mais viável porque estava acompanhada de amigas e o grupo conseguiu dividir os custos da hospedagem.
A pesquisa mostra que os gastos podem crescer rapidamente quando todas essas despesas são somadas. 52% dos entrevistados disseram ter gasto mais de R$ 600 no último evento musical que frequentaram, enquanto 33% passaram dos R$ 1 mil.
Entre os frequentadores entrevistados, 45% afirmam começar o planejamento entre um e três meses antes do evento. O problema é que, para quem compra o ingresso assim que as vendas são abertas, parte dos gastos futuros ainda não está necessariamente calculada.
Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box entre 7 e 17 de agosto de 2026, com 930 pessoas que frequentam shows e festivais de música, ainda que eventualmente. A margem de erro geral é de 3,2 pontos percentuais.

