Caso Gisele: Interrogatório de tenente-coronel acusado de matar esposa PM é adiado pela 3ª vez

Informação foi divulgada nas redes sociais na sexta-feira (4) pela defesa da família da vítima.

Vitor Hugo Fróes
Vitor Hugo Fróes
Jornalista e publicitário formado pela Universidade do Vale do Paraíba, com trajetória construída em rádio, TV e portais de notícias da região. Ao longo da carreira, atuou como repórter, produtor de telejornais e editor web, além de acumular experiências em assessoria de imprensa e marketing digital. Fora das redações, é praticante de artes marciais, apaixonado por viagens e fã de video games.
Foto: Reprodução

O interrogatório do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, foi adiado pela terceira vez. A informação foi divulgada nas redes sociais na sexta-feira (4) pela defesa da família da vítima.

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A audiência estava inicialmente prevista para 28 de agosto e havia sido remarcada para 8 de setembro. Agora, deve acontecer no dia 5 de outubro, às 13h.

Segundo o advogado José Miguel Silva, que representa a família de Gisele, o novo adiamento ocorreu porque a defesa voltou a questionar o laudo pericial, alegando que os quesitos não seriam similares aos anteriores. Para ele, a estratégia seria protelar o processo para que o caso caia no esquecimento da imprensa e da sociedade.

O depoimento presencial do oficial é a última etapa da instrução criminal antes da decisão que definirá se ele será submetido a júri popular. O tenente-coronel nega o crime.

Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava, no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. Ela deixou uma filha de 7 anos, de outro relacionamento.

Segundo o boletim de ocorrência, o marido alegou que a encontrou caída no chão, com uma arma na mão e sangramento intenso. Ela chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu.

Geraldo foi preso preventivamente em 18 de março, quando se tornou réu por feminicídio e fraude processual. Inicialmente, ele sustentou que a esposa havia se suicidado após uma discussão, versão descartada depois que os laudos apontaram feminicídio.

Segundo o Ministério Público, laudos periciais, reprodução simulada e mensagens analisadas indicam que o tenente-coronel segurou a cabeça de Gisele e atirou contra ela. Na sequência, de acordo com a acusação, ele teria manipulado a cena do crime para simular um suicídio, o que fundamenta a imputação de fraude processual.

Gravações de câmeras corporais de policiais militares feitas no dia do crime mostram um embate entre um cabo, que queria preservar o local, e o tenente-coronel. Segundo as imagens, o oficial insistiu em entrar no banheiro, tomar banho e circular pelo apartamento, conduta que levantou suspeitas dos investigadores e enfraqueceu a versão de suicídio.

Em depoimento, a mãe da vítima afirmou que o relacionamento era conturbado e que o oficial seria abusivo e violento, impondo restrições ao comportamento da filha.

Em interrogatório à Polícia Civil, o tenente-coronel fez uma defesa da própria trajetória de 35 anos na corporação. Ele afirmou que nunca foi bandido e que sempre salvou vidas e prendeu criminosos. Segundo ele, a primeira reação após o ocorrido foi abrir a porta do apartamento aos policiais justamente para afastar qualquer suspeita de adulteração da cena.

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