Mulher é presa por feminicídio após esfaquear cunhada em Caçapava

Ana Carolina Augusto dos Santos, de 29 anos, foi atingida no pescoço durante discussão em casa no bairro Santa Luzia, na noite de segunda-feira (8). Suspeita, de 19 anos, alegou legítima defesa aos policiais.

Vitor Hugo Fróes
Vitor Hugo Fróes
Jornalista e publicitário formado pela Universidade do Vale do Paraíba, com trajetória construída em rádio, TV e portais de notícias da região. Ao longo da carreira, atuou como repórter, produtor de telejornais e editor web, além de acumular experiências em assessoria de imprensa e marketing digital. Fora das redações, é praticante de artes marciais, apaixonado por viagens e fã de video games.
Foto: Reprodução

Uma mulher de 19 anos foi presa por feminicídio após esfaquear a cunhada em Caçapava, na noite de segunda-feira (8). A vítima, Ana Carolina Augusto dos Santos, de 29 anos, morreu depois de ser socorrida.

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Segundo o boletim de ocorrência, ao qual a reportagem teve acesso, o caso aconteceu por volta das 22h47, em uma casa na Travessa João Borges de Siqueira, no bairro Santa Luzia. Ana Carolina era irmã do companheiro da suspeita e estava morando na residência do casal.

Policiais militares foram acionados pelo Copom para atender a uma ocorrência de briga, com a informação de que uma das pessoas envolvidas estava com uma faca. Durante o deslocamento, a central informou que alguém havia sido atingido e que havia muito sangue no local.

Ao chegarem, os policiais encontraram Ana Carolina caída no chão, sem movimentação aparente, com um ferimento próximo ao pescoço. Ela foi socorrida pelo Samu e levada à Fusam, onde morreu.

A suspeita se apresentou aos policiais no próprio local e não ofereceu resistência. Segundo o relato dos militares, ela alegou legítima defesa, afirmando que houve luta corporal e que a cunhada estava com a faca e teria acabado ferida com o próprio instrumento.

Ainda de acordo com o documento, durante o registro da ocorrência ela teria dito que interveio em uma discussão para proteger o companheiro, conseguiu tomar a faca de Ana Carolina e desferiu um golpe que atingiu a vítima perto do pescoço.

Na delegacia, a jovem optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório.

O irmão da vítima e companheiro da suspeita foi ouvido como testemunha. Ele relatou que a faca era usada no preparo de alimentos e ficava guardada em uma gaveta da cozinha, mas disse não saber quem a retirou.

O depoimento apresentou divergências sobre a sequência dos fatos: em um primeiro momento, ele afirmou não conseguir identificar quem estava com o instrumento e, depois, declarou ter visto a faca na mão da companheira e a irmã já ferida. Ele também disse ter se machucado na testa ao tentar intervir.

Por que o caso foi registrado como feminicídio?

No despacho, o delegado enquadrou o caso como feminicídio consumado, previsto no artigo 121-A do Código Penal, na modalidade de violência doméstica e familiar.

Segundo o documento, o contexto doméstico é sustentado pelo fato de a vítima ser irmã do companheiro da suspeita e estar morando na casa do casal, e por o confronto ter surgido de uma discussão dentro desse núcleo familiar.

O delegado registra que a condição feminina da autora não impede o enquadramento, já que o tipo penal não exige que o agressor seja homem e a violência doméstica também pode ocorrer entre mulheres do mesmo núcleo de convivência. O texto cita um precedente do Superior Tribunal de Justiça nesse sentido.

Sobre a alegação de legítima defesa, o despacho aponta que a versão não encontrou respaldo nos depoimentos colhidos, já que a testemunha não afirmou ter sido atacada pela irmã nem que ela tivesse atacado a companheira.

A faca usada no crime foi apreendida. O delegado decretou a prisão em flagrante sem possibilidade de fiança, por se tratar de crime hediondo, e representou pela conversão em prisão preventiva, para garantia da ordem pública.

Foram requisitados o exame necroscópico, a perícia de local, o exame na faca e os exames de corpo de delito na suspeita e na testemunha. A jovem seria encaminhada à Cadeia Pública de Caçapava e apresentada em audiência de custódia.

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