Especial 259 anos: Memórias que ajudam a fazer a história de São José

Vitor Hugo Fróes
Vitor Hugo Fróes
Jornalista e publicitário formado pela Universidade do Vale do Paraíba, com trajetória construída em rádio, TV e portais de notícias da região. Ao longo da carreira, atuou como repórter, produtor de telejornais e editor web, além de acumular experiências em assessoria de imprensa e marketing digital. Fora das redações, é praticante de artes marciais, apaixonado por viagens e fã de video games.

O sorriso no rosto de Jorge do Bandolim revela uma relação de quase uma vida inteira com a música. Aos 96 anos, o músico mantém viva a paixão pelo instrumento que marcou sua trajetória e ajudou a construir parte da história cultural de São José dos Campos.

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Nascido em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, Jorge chegou ao município aos 12 anos. Foi na cidade que criou raízes, formou família e construiu uma carreira ligada ao chorinho, gênero musical que aprendeu a tocar no bandolim que pertencia ao pai.

“Aprendi com o José Tito Alves da Silva. Ele morava aqui em São José dos Campos e foi quem me ensinou”, relembra.

Na época, o instrumento já não estava tão em evidência, mas o amor pela música falou mais alto. Filho de uma família de músicos, Jorge levou o chorinho para diferentes pontos da cidade e ficou conhecido como Jorge do Bandolim.

Mesmo com a mobilidade mais limitada atualmente, a paixão pelo instrumento continua a mesma. Na casa onde mora, no bairro Vila Maria, o músico guarda lembranças de uma trajetória marcada por apresentações e encontros musicais.

Por volta dos 60 anos, Jorge foi um dos responsáveis pela criação do Clube do Choro Pixinguinha, grupo que ajudou a fortalecer e divulgar o gênero musical em São José dos Campos.

“Eu tocava cavaquinho, tocava pandeiro. E nós cantávamos. A gente tocava à noite”, conta.

A memória do músico também ajuda a revelar como a cidade mudou ao longo das últimas décadas. Quando chegou ao município, São José dos Campos ainda tinha características de uma cidade do interior.

“Eu nasci em 1929. São José era bem interior ainda. Hoje ela está linda, muito bacana, eu gosto muito de São José”, afirma.

A trajetória de Jorge é apenas uma das muitas histórias que fazem parte dos 259 anos de São José dos Campos. Parte dessa transformação está registrada em fotografias e vídeos feitos por moradores que acompanharam o crescimento do município.

Um desses registros é preservado por Wagner Ribeiro, que reúne arquivos históricos da cidade desde o início dos anos 2000. O interesse começou ainda na infância, quando ele caminhava pela região central e passou a observar detalhes do município.

“Desde a infância, como morador da região central, eu já gostava de ver esses detalhes de São José, já gostava de registrar. Meu pai fotografava de maneira simples, mas registrava”, explica.

Com a chegada das redes sociais, Wagner encontrou uma nova forma de compartilhar esse acervo e também receber contribuições de outros moradores, criando uma grande coleção de memórias da cidade.

Entre os locais que tiveram grandes transformações está a Praça Afonso Pena, um dos principais pontos históricos de São José dos Campos. O espaço já teve outros nomes ao longo da história, como Largo Municipal e Praça 23 de Novembro, antes de receber a denominação atual no início dos anos 1900.

A praça, que hoje é cercada por lojas e comércios, já contou com lagos, arborização diferente da atual e até um anfiteatro que, segundo registros históricos, possuía um acesso subterrâneo. A área também abrigou um cemitério no passado.

Para Wagner, reunir e preservar essas imagens é uma forma de entender o presente da cidade e valorizar suas origens.

“Você vê o que mudou e o que não mudou, o que ainda consegue ser preservado. A importância disso é como essas árvores aqui: sem raízes, elas não são nada”, afirma.

Entre músicos, fotógrafos e moradores apaixonados pela história local, São José dos Campos segue construindo sua identidade. As memórias de quem viveu diferentes fases da cidade ajudam a contar a trajetória de um município que chegou aos 259 anos carregando histórias, transformações e raízes.

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