Quem esteve na Arena Carioca 1 neste último final de semana certamente cantou o hino nacional mais vezes do que a memória será capaz de registrar. As finais do Pan-Americano de Ginástica Rítmica, realizado no Rio de Janeiro, terminaram com uma dominância avassaladora da seleção brasileira, que conquistou seis medalhas de ouro em uma campanha que já nasce histórica. Para além de consagrarem o país no lugar mais alto do pódio, as atletas garantiram vagas cruciais para o Campeonato Mundial de Frankfurt, na Alemanha, marcado para agosto deste ano.
A modalidade, que mescla acrobacias complexas à fluidez da dança, desafia as atletas em cinco aparelhos distintos: arco, bola, fita, maças e corda, distribuídos em apresentações individuais e em conjunto. Demonstrando uma versatilidade técnica impecável, a seleção brasileira não apenas conquistou o ouro por equipes na série de cinco bolas e na série mista, que engloba diferentes aparelhos, como também subiu ao pódio em todas as finais individuais.
O final de semana, sem dúvidas, pertenceu a elas. Maria Eduarda Arakaki, Julia Kurunczi, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves, Nicole Pírcio e Sofia Madeira somaram 29.250 pontos na decisão das cinco bolas, deixando para trás as fortes equipes dos Estados Unidos e do México. Nas apresentações individuais, o Brasil arrebatou oito medalhas, sendo três de ouro, promovendo dobradinhas no pódio que encantaram a torcida. No arco, o país garantiu ouro e prata; na fita, ouro e bronze; nas maças, novamente ouro e prata; e, na bola, prata e bronze, cedendo o topo do pódio apenas para a representação americana. Com coreografias poderosas e cheias de personalidade, as “leoas” reafirmaram sua hegemonia continental e desembarcam na Europa como francas favoritas.
Vale destacar que a nota obtida na série mista consolidou-se como a maior do conjunto brasileiro nesta temporada. Sob uma perspectiva comparativa internacional, o desempenho do Brasil na Arena Carioca 1 posiciona o país no topo do cenário global, emparelhando com potências como a Espanha, que registrou 28.800 na final do Campeonato Europeu recentemente. “As meninas conseguiram mostrar dentro de quadra todas as adaptações e as mudanças que fizemos nas coreografias. Aumentamos bastante a nossa nota de dificuldade e aqui deu para ver essa constância. Não apresentamos nenhum erro grave nas quatro apresentações, o que nos dá ainda mais confiança”, celebrou a técnica Camila Ferezin.
Não há dúvidas de que o Time Brasil de Ginástica Rítmica chega forte em Frankfurt, pavimentando um caminho sólido em direção aos Jogos Olímpicos de 2028. O país, que tem vivenciado a ascensão vigorosa de modalidades outrora negligenciadas pelo grande público, aprende a estender seu orgulho para além dos gramados, vibrando nos ginásios, nas quadras e nas piscinas, vestindo o verde e amarelo com um renovado sentido de nação. Se conquistar o topo do continente é um feito grandioso, fazê-lo em casa possui um sabor ainda mais especial, e a torcida segue, merecidamente, reverenciando suas ginastas.

