Outubro, um mês pintado de rosa, vem como um lembrete anual da importância de voltarmos nosso olhar para a saúde da mulher. Mas, para além das necessárias campanhas de conscientização, o que realmente transforma vidas são os avanços palpáveis. E este mês nos trouxe um dos grandes: uma nova e poderosa arma para mulheres que lutam contra o câncer de mama, a doença que, infelizmente, ainda é a que mais as mata.
A boa-nova é um medicamento que acaba de desembarcar no Brasil e promete reduzir em até 50% a mortalidade da doença. E o mais importante: será oferecido pelo Sistema Único de Saúde
O nome pode soar complexo — Trastuzumabe Entansina —, mas sua ação é de uma elegância cirúrgica. Desenhado para combater um dos subtipos mais agressivos do câncer, o HER2-positivo, o medicamento age como uma terapia direcionada, um tiro preciso nas células cancerígenas, poupando as células saudáveis ao redor.
Enquanto na rede privada o frasco custa cerca de R$11 mil, no SUS o tratamento será ofertado de forma completamente gratuita, eliminando a barreira financeira que exclui a vasta maioria da população do acesso ao tratamento adequado. O compromisso é atender 100% da demanda em todo o território nacional, com entregas já programadas em lotes que se estendem até junho de 2026.
Isso é mais do que um novo remédio na prateleira; é a materialização da equidade. Representa um avanço gigantesco no cuidado, ampliando as opções no SUS e oferecendo perspectivas reais de controle da doença e, acima de tudo, de qualidade de vida.
Vitórias como esta não nascem do dia para a noite, elas são frutas de uma longa jornada. No Brasil, houve uma evolução importante de políticas focadas na saúde da mulher, que deixou de ser vista apenas do ponto de vista da reprodução e hoje apresenta uma abordagem integral. A criação do nosso SUS, em 1988, foi o pilar dessa mudança. Mais tarde, em 2004, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher solidificou essa visão, abraçando a prevenção, o tratamento de diversas doenças e o cuidado integral, muito além da maternidade.
Hoje, quem depende do sistema público já encontra um arsenal robusto para o tratamento do câncer de mama: cirurgias de todos os tipos (como mastectomias e a essencial reconstrução mamária), radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e tratamentos com anticorpos. A este exército, soma-se agora o Trastuzumabe Entansina.
Este anúncio, em pleno Outubro Rosa, não é apenas uma boa notícia, é a prova concreta de que a vida e a dignidade não podem depender do saldo bancário. É a ciência e o esforço coletivo dando um passo firme para que o câncer de mama seja, cada vez mais, uma batalha vencida.



